A diretora-presidente da AEGEA, Priscila Marchini, destacou a urgência de ampliar o acesso ao saneamento básico no Brasil, especialmente à coleta e tratamento de esgoto. À frente da maior empresa privada de saneamento do país, ela reforçou o papel estratégico do setor no desenvolvimento social e na saúde pública — e defendeu o fortalecimento de políticas públicas para superar os déficits históricos.
“São cerca de 30 milhões de brasileiros sem acesso à água potável, e mais de 100 milhões de pessoas sem acesso ao esgotamento sanitário. Portanto, falar em esgotamento sanitário é falar, antes de tudo, de políticas públicas, de inclusão e de dignidade humana”, afirmou. Segundo ela, o impacto da falta de conexão ao sistema de esgoto é brutal, especialmente nas áreas mais vulneráveis, onde sequer há estrutura ou regulamentação para conexões regulares.
A executiva lembrou que o mercado de saneamento está em expansão, com o novo marco legal atraindo grandes empresas nacionais e internacionais. “O ecossistema mudou. Hoje, vemos investimentos acelerados e um setor mais competitivo. A AEGEA atua com concessão plena de água e esgoto em todas as regiões do Brasil, atendendo desde cidades com mil habitantes até grandes centros com mais de sete milhões de pessoas”, pontuou.
Atualmente, a AEGEA lidera o setor privado no país, com atuação em 52 municípios do Paraná e cerca de 800 mil pessoas atendidas no estado. Com a recente vitória no leilão da Sanepar, a empresa inicia agora uma nova fase de expansão. “A primeira obra será em Tijucas do Sul. Mas sabemos que há muitos municípios paranaenses sem qualquer tratamento de esgoto. Nosso compromisso é avançar rapidamente, com planejamento, inovação e responsabilidade”, disse.
Priscila destacou que o contrato conquistado apresenta vários desafios e lacunas a serem superadas, especialmente no que se refere à infraestrutura existente, regularização de conexões e alcance de indicadores de desempenho. “Nosso modelo de contrato é orgânico, com foco na remuneração por resultado. Mas é preciso trabalhar coletivamente, com os órgãos ambientais e reguladores, para garantir a efetividade das metas”, explicou.
A executiva reforçou a necessidade de fechar o ciclo do saneamento, especialmente nas áreas mais vulneráveis. “Não existe política pública robusta para quem está fora do sistema. É preciso pensar em soluções ambientais completas — desde a destinação correta do lodo até o aproveitamento energético. A AEGEA já trabalha, por exemplo, com a previsão de destinação adequada para resíduos em aterro sanitário a partir de 2026”, afirmou.
Outro ponto levantado foi a necessidade de controle rigoroso sobre o lançamento de efluentes não domésticos. “Propusemos, inclusive, durante consulta pública da Agepar, uma tarifa diferenciada para quem lança fora dos parâmetros, como forma de desincentivar práticas que comprometem a rede. Defendemos também que se torne obrigatória a anuência prévia da Sanepar nesses casos”, disse.
Segundo Priscilia, o papel do Instituto Água e Terra (IAT) também será essencial para o sucesso da parceria público-privada. “É preciso reconhecer a PPP como instrumento legítimo e eficaz, com obrigações claras, como a transferência de licença ou outorga. Não se trata apenas de uma obra: é uma mudança estrutural na forma como tratamos o saneamento.”
Para ela, mais do que uma prestação de serviço, o saneamento é parte essencial de um novo pacto social. “Falar em saneamento é falar de qualidade de vida, saúde pública, valorização do território e inclusão. E isso só é possível se trabalharmos juntos: setor privado, poder público e sociedade.”
Conteúdo: Básica Comunicações
Foto: Jaqueline Stefanes
