Economia circular como estratégia de futuro

Durante sua apresentação no evento, Ricardo Gonçalves de Morais, pesquisador do Instituto Senai de Tecnologia em Meio Ambiente e Química, lançou luz sobre um tema urgente e estratégico para o desenvolvimento sustentável: a transição para uma economia circular. Com dados impactantes e propostas concretas, ele alertou: “Hoje, apenas 7,2% de todos os materiais consumidos globalmente são de origem secundária. A lógica ainda é extrair, produzir e descartar. Precisamos mudar isso para prolongar a vida útil dos recursos”.

Apesar do baixo índice de circularidade no mundo, Ricardo reconhece avanços importantes no setor produtivo brasileiro. “Cerca de 85% das indústrias já desenvolvem pelo menos uma ação voltada à economia circular. Seja com programas de sustentabilidade, ações de reciclagem, logística reversa ou projetos baseados em soluções baseadas na natureza (SbN), esse movimento vem ganhando força”, afirmou.

Uma das principais iniciativas nacionais nesse sentido é o Plano Nacional de Economia Circular – ou Estratégia Nacional de Economia Circular (ENEC) – que terá vigência de 2025 a 2034. O plano estabelece diretrizes para uma transição ampla e estruturada do modelo econômico linear para o circular. “É um marco para o Brasil. Mas para que funcione, precisa ser acompanhado de políticas públicas efetivas, integração entre setores e participação ativa da sociedade”, reforçou o pesquisador.

Ricardo destacou pilares essenciais para consolidar uma economia circular plena no país. O primeiro deles é reprojetar produtos e processos, priorizando durabilidade, reparabilidade e modularidade. “Não adianta apenas reciclar. É preciso pensar desde o início em como o produto pode durar mais, ser consertado e desmontado com facilidade e reutilizar componentes”.

Outro ponto crucial é a inclusão das pessoas no ciclo produtivo. “Capacitação, trabalho decente, valorização de catadores, agricultores, cooperativas e técnicos são fundamentais. A circularidade só acontece se for socialmente justa e economicamente viável”.

Afirmou também que se deve integrar dados e rastreabilidade, aperfeiçoar políticas públicas e incentivos, ampliar colaboração e compromissos setoriais (indústria, governo, academia e sociedade civil precisam atuar como um sistema interligado) e valorizar o local com visão global. “Cada território tem potencial para criar soluções de economia circular com impacto sistêmico”, finalizou.

Conteúdo: Básica Comunicações

Foto: Jaqueline Stefanes

Economia circular como estratégia de futuro

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