Cidades seguras e sustentáveis com foco na redução de mortes no trânsito

Especialista em mobilidade urbana, Jorge Tiago Bastos alerta para os riscos do excesso de velocidade e defende um redesenho urbano que priorize vidas – especialmente de pedestres, ciclistas e motociclistas

Em sua palestra sobre mobilidade urbana segura e sustentável, o pesquisador Jorge Tiago Bastos trouxe números que escancaram a urgência de repensar o modelo de circulação nas cidades brasileiras. “Por ano, cerca de 34 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito no Brasil. Um terço dessas vítimas são motociclistas. Isso não é aceitável. Precisamos tratar a segurança viária como prioridade de saúde pública”.

Segundo ele, o país apresenta uma das piores taxas do mundo quando se calcula o número de mortes por bilhão de quilômetros rodados. “Enquanto países desenvolvidos registram cerca de duas mortes a cada bilhão de quilômetros percorridos por veículos motorizados, o Brasil chega a 32. É um abismo. E isso precisa ser enfrentado com políticas sérias, coordenadas e efetivas”, reforçou.

Bastos defendeu a adoção do conceito de “Visão Zero”, uma abordagem já implementada em diversos países que busca eliminar mortes e feridos graves no trânsito. “A lógica da Visão Zero abandona a ideia de que o ser humano é o único culpado pelos acidentes. A responsabilidade é compartilhada: está no projeto das vias, na fiscalização, na legislação, no atendimento em saúde e, principalmente, na prevenção. Não basta punir depois que acontece, é preciso evitar que aconteça”.

Um dos principais fatores que agravam a letalidade no trânsito, segundo o especialista, é a velocidade. “A Organização Mundial da Saúde recomenda limites de 30 km/h para áreas urbanas com presença de pedestres e ciclistas, pois o risco de morte é muito menor. Mas o Brasil não segue essas orientações. Aqui temos vias que induzem ao aumento da velocidade, com limites de 50 ou até 70 km/h, o que é extremamente perigoso”.

Ele destacou ainda que a forma como as cidades são desenhadas contribui para esse cenário. “O desenho das vias, a sinalização, o espaçamento entre cruzamentos e a própria engenharia urbana muitas vezes favorecem os carros e a alta velocidade. Isso coloca em risco os usuários mais vulneráveis: pedestres, ciclistas, motociclistas.”

Para Jorge Bastos, é urgente estimular a migração para modos de transporte mais seguros e sustentáveis, com investimentos em transporte coletivo, infraestrutura cicloviária e calçadas adequadas. “A cultura da velocidade está associada a uma ideia equivocada de liberdade e status, muito ligada à valorização do carro. Mas não podemos continuar naturalizando isso. Precisamos, como sociedade, valorizar a vida”.

Entre as soluções, ele defendeu medidas de gestão da velocidade – com engenharia das vias que induza naturalmente a redução, e fiscalização efetiva. “Segurança viária se constrói com decisões políticas e urbanas. Vias mais seguras não são só mais humanas, elas são mais eficientes. Porque nenhuma vida perdida no trânsito pode ser considerada um dano colateral aceitável.”

Para encerrar, Bastos deixou uma mensagem contundente: “Segurança no trânsito não é só um desafio técnico – é uma escolha ética. E cidades seguras são aquelas que priorizam quem mais precisa de proteção”.

Conteúdo: Básica Comunicações

Foto: Jaqueline Stefanes

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