Cidades seguras e sustentáveis com foco na redução de mortes no trânsito
Especialista em mobilidade urbana, Jorge Tiago Bastos alerta para os riscos do excesso de velocidade e defende um redesenho urbano que priorize vidas – especialmente de pedestres, ciclistas e motociclistas
Em sua palestra sobre mobilidade urbana segura e sustentável, o pesquisador Jorge Tiago Bastos trouxe números que escancaram a urgência de repensar o modelo de circulação nas cidades brasileiras. “Por ano, cerca de 34 mil pessoas morrem em acidentes de trânsito no Brasil. Um terço dessas vítimas são motociclistas. Isso não é aceitável. Precisamos tratar a segurança viária como prioridade de saúde pública”.
Segundo ele, o país apresenta uma das piores taxas do mundo quando se calcula o número de mortes por bilhão de quilômetros rodados. “Enquanto países desenvolvidos registram cerca de duas mortes a cada bilhão de quilômetros percorridos por veículos motorizados, o Brasil chega a 32. É um abismo. E isso precisa ser enfrentado com políticas sérias, coordenadas e efetivas”, reforçou.
Bastos defendeu a adoção do conceito de “Visão Zero”, uma abordagem já implementada em diversos países que busca eliminar mortes e feridos graves no trânsito. “A lógica da Visão Zero abandona a ideia de que o ser humano é o único culpado pelos acidentes. A responsabilidade é compartilhada: está no projeto das vias, na fiscalização, na legislação, no atendimento em saúde e, principalmente, na prevenção. Não basta punir depois que acontece, é preciso evitar que aconteça”.
Um dos principais fatores que agravam a letalidade no trânsito, segundo o especialista, é a velocidade. “A Organização Mundial da Saúde recomenda limites de 30 km/h para áreas urbanas com presença de pedestres e ciclistas, pois o risco de morte é muito menor. Mas o Brasil não segue essas orientações. Aqui temos vias que induzem ao aumento da velocidade, com limites de 50 ou até 70 km/h, o que é extremamente perigoso”.
Ele destacou ainda que a forma como as cidades são desenhadas contribui para esse cenário. “O desenho das vias, a sinalização, o espaçamento entre cruzamentos e a própria engenharia urbana muitas vezes favorecem os carros e a alta velocidade. Isso coloca em risco os usuários mais vulneráveis: pedestres, ciclistas, motociclistas.”
Para Jorge Bastos, é urgente estimular a migração para modos de transporte mais seguros e sustentáveis, com investimentos em transporte coletivo, infraestrutura cicloviária e calçadas adequadas. “A cultura da velocidade está associada a uma ideia equivocada de liberdade e status, muito ligada à valorização do carro. Mas não podemos continuar naturalizando isso. Precisamos, como sociedade, valorizar a vida”.
Entre as soluções, ele defendeu medidas de gestão da velocidade – com engenharia das vias que induza naturalmente a redução, e fiscalização efetiva. “Segurança viária se constrói com decisões políticas e urbanas. Vias mais seguras não são só mais humanas, elas são mais eficientes. Porque nenhuma vida perdida no trânsito pode ser considerada um dano colateral aceitável.”
Para encerrar, Bastos deixou uma mensagem contundente: “Segurança no trânsito não é só um desafio técnico – é uma escolha ética. E cidades seguras são aquelas que priorizam quem mais precisa de proteção”.
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Inclusão e tarifa zero na mobilidade urbana
Durante palestra sobre os desafios e soluções da mobilidade urbana, Roberto Gregório foi direto ao ponto: “Mobilidade sustentável precisa ser pensada em várias dimensões — e todas exigem soluções efetivas. Mas, quando falamos de inclusão, a palavra mágica tem cinco letras: bolso”. Para ele, discutir o custo do transporte público é central para garantir o direito de ir e vir, especialmente para as populações que mais dependem do serviço.
Gregório lembrou que o transporte público é um direito constitucional, e que não há outro caminho viável para garantir mobilidade urbana de forma sustentável. “O transporte coletivo, do ponto de vista da sustentabilidade, não tem concorrente. Mais carros nas ruas significa mais trânsito, mais estacionamentos, mais emissões e mais custos públicos. É o modal coletivo que pode, de fato, transformar a cidade”, afirmou.
Um dos pontos centrais da sua fala foi a defesa da tarifa zero, modelo que já vem sendo adotado em algumas cidades brasileiras e internacionais com resultados expressivos. “Não é exagero: as cidades que adotaram a tarifa zero constataram inclusão, aumento expressivo no número de usuários e redução de custos públicos — com menos acidentes, menos congestionamento e menos necessidade de infraestrutura viária.”
Segundo ele, investir no transporte coletivo é mais do que uma medida técnica, é uma política de equidade. “Temos que facilitar o transporte para quem precisa. E ele precisa ser acessível, com qualidade e universal. A tarifa integrada, por exemplo, é uma medida social altamente relevante para quem mora longe e depende de vários modais para chegar ao destino.”
Gregório também destacou que pensar a mobilidade urbana é olhar para o todo — e agir sobre os elementos que realmente fazem diferença. “Não adianta pensar em soluções periféricas. O transporte coletivo sustentável precisa estar no centro da discussão. Ele é o único que pode ser eficiente nas três dimensões da sustentabilidade: econômica, ambiental e social”.
Outro ponto destacado por ele foi a necessidade de onerar o transporte individual como forma de desincentivar seu uso. “Pedágio urbano, limite de velocidade, controle de acesso — muitas cidades já adotaram essas medidas. É preciso coragem política para avançar.”
Sobre o financiamento do transporte público, o especialista sugeriu mudanças estruturais, como a municipalização do imposto sobre combustíveis e a readequação de funções dentro do sistema. “Hoje, cerca de 15% dos custos do transporte coletivo estão relacionados aos cobradores. E temos uma altíssima rotatividade nessa função. É preciso repensar essas funções, integrando essas pessoas em outras atividades do sistema.”
Para concluir, Roberto Gregório reforçou: “Falar de mobilidade urbana é falar de inclusão. Se não for acessível para todos, não é solução. E para isso, precisamos parar de olhar o transporte público como despesa e passar a vê-lo como investimento social e estratégico. A tarifa zero não é utopia — é caminho.”
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Mobilidade urbana para um futuro mais humano
O processo acelerado e desordenado de urbanização iniciado no Brasil nos anos 1970 moldou cidades marcadas por desigualdades, distâncias e exclusões. “Hoje, 87% da população brasileira vive em áreas urbanas. E, cada vez mais, as pessoas precisam percorrer longas distâncias para acessar serviços, educação, saúde. Isso gera um movimento pendular exaustivo, que consome tempo e afeta a qualidade de vida”, alerta Rafaela Almeida, professora e especialista em mobilidade urbana.
Durante sua palestra, ela destacou que o carro ainda é visto como símbolo de status, o que, somado à precarização do transporte público, cria um ciclo vicioso: mais carros nas ruas, mais congestionamento, mais poluição. “Há trajetos urbanos em que se leva uma hora para percorrer dez quilômetros. E seguimos investindo em infraestrutura para veículos individuais, em vez de pensar soluções centradas nas pessoas”.
Um dos exemplos mais emblemáticos citados por Rafaela é o Plano de Mobilidade de Curitiba. “Em 2008, a maioria dos deslocamentos era feita por transporte coletivo. Já em 2024, mais de 40% das pessoas se deslocam com veículos individuais. Isso demonstra a perda de atratividade do transporte público, que deveria ser acessível, eficiente e sustentável”, analisou.
A professora também chamou atenção para a explosão dos aplicativos de transporte, que cresceram mais de 1.000% nos últimos anos, substituindo parte da demanda que antes era atendida por ônibus. “Essa mudança não é neutra. Ela reforça a exclusão social, porque nem todos podem pagar por um carro ou por corridas em aplicativos. E o transporte público, que deveria ser um direito, vai perdendo investimentos e usuários”.
Rafaela defendeu que é preciso redesenhar as cidades a partir da mobilidade ativa e da apropriação dos espaços públicos. “Calçadas acessíveis, ciclovias, integração de modais, ruas abertas para pedestres. Precisamos inspirar-nos em cidades como Paris, que estão transformando avenidas em vias exclusivas para ciclistas e pedestres. Menos carros significam mais saúde, menos poluição e mais convivência”.
Para ela, as cidades do futuro não podem se limitar à tecnologia: “Não basta serem inteligentes; elas precisam ser humanas. Precisam reduzir distâncias – físicas, sociais e digitais – e promover um transporte público de qualidade, com tarifas justas e integração entre modais”.
Finalizando sua fala, Rafaela Almeida lançou um convite à reflexão: “Não se trata de fechar ruas para carros, mas de abrir caminhos para as pessoas. Mobilidade é direito, é dignidade, é condição essencial para uma vida urbana mais justa e saudável”.
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Crescimento com responsabilidade ambiental e segurança hídrica
Com uma abordagem técnica e integrada, a gestão pública de Curitiba tem avançado na implementação e revisão de políticas de saneamento básico. A experiência prática da cidade foi apresentada por Antônio Carlos Gerardi, diretor de Recursos Hídricos e Saneamento, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que destacou os principais desafios e estratégias para garantir qualidade ambiental e saúde pública.
“A base da nossa atuação é a fiscalização ambiental, com vistorias hidrossanitárias, acompanhamento das redes públicas de água e esgoto e o monitoramento da qualidade dos recursos hídricos. O objetivo é garantir que a cidade cresça com responsabilidade ambiental e segurança hídrica”, explicou Gerardi.
Durante sua apresentação, ele detalhou o uso do Índice de Qualidade da Água (IQA) como ferramenta essencial para padronizar e analisar os recursos hídricos da capital. “Realizamos coletas semestrais em 131 pontos distribuídos nas seis bacias hidrográficas de Curitiba, incluindo águas superficiais, poços e bioindicadores. As análises são feitas por empresas contratadas por meio de licitação”, pontuou.
Apesar do avanço técnico, Gerardi reconheceu os desafios ainda presentes, como a baixa frequência de amostragens, a capacidade fiscalizatória limitada e a poluição difusa. Como proposta, defendeu a instalação de sensores fixos para monitoramento contínuo da qualidade da água nos corpos hídricos da cidade. “Com essa tecnologia, conseguimos detectar alterações de qualidade mais rapidamente, localizar com precisão as fontes poluidoras e direcionar de forma mais eficaz as ações de fiscalização.”
Outro eixo importante da política ambiental de Curitiba é o telediagnóstico e o georreferenciamento das redes de drenagem urbana, ferramentas que permitem identificar falhas estruturais e lançamentos irregulares. “Nosso objetivo é aprimorar o cadastro da rede de drenagem, detectar lançamentos irregulares e melhorar a infraestrutura urbana. Gestão ambiental exige planejamento, tecnologia e investimento em informação de qualidade”, afirmou.
A revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico, realizada recentemente, foi marcada pela participação popular, com a incorporação de cerca de 14 sugestões e contribuições. “Atualizamos os indicadores de universalização, reforçamos metas e garantimos que tudo esteja em conformidade com a legislação vigente. Mas sabemos que é preciso convencer a população da importância de tratar o esgoto de forma correta, por isso, estamos trabalhando com indicadores de satisfação do usuário como forma de mensurar e melhorar o serviço prestado”.
Curitiba conta atualmente com 7,37 mil quilômetros de rede de abastecimento de água e 6,3 mil quilômetros de rede de tratamento de esgoto, alcançando 98% de cobertura de coleta de esgoto. Entre as ações em andamento, Gerardi citou o trabalho de recuperação do ecossistema do Rio Belém, com ações intersetoriais e a continuidade do programa Amigo dos Rios, que mobiliza as comunidades na fiscalização e na proposição de melhorias.
A integração de dados ambientais e operacionais é feita por meio de geoprocessamento e vem sendo aperfeiçoada com o uso do Hipervisor de Curitiba, ferramenta que centraliza e cruza informações para embasar decisões estratégicas. “Estamos aproveitando ao máximo a tecnologia disponível para garantir uma gestão cada vez mais eficiente e transparente.”
Por fim, Gerardi destacou o papel do poder público na regulação e fiscalização do setor, especialmente diante do crescimento do mercado de saneamento. “O setor está muito ativo, com várias licitações em andamento, concessões e parcerias público-privadas. Nesse contexto, fortalecer a regulação é essencial para garantir a universalização do saneamento com boa qualidade e menor preço para todos os usuários”, concluiu.
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Falar em esgotamento sanitário é falar de políticas públicas
A diretora-presidente da AEGEA, Priscila Marchini, destacou a urgência de ampliar o acesso ao saneamento básico no Brasil, especialmente à coleta e tratamento de esgoto. À frente da maior empresa privada de saneamento do país, ela reforçou o papel estratégico do setor no desenvolvimento social e na saúde pública — e defendeu o fortalecimento de políticas públicas para superar os déficits históricos.
“São cerca de 30 milhões de brasileiros sem acesso à água potável, e mais de 100 milhões de pessoas sem acesso ao esgotamento sanitário. Portanto, falar em esgotamento sanitário é falar, antes de tudo, de políticas públicas, de inclusão e de dignidade humana”, afirmou. Segundo ela, o impacto da falta de conexão ao sistema de esgoto é brutal, especialmente nas áreas mais vulneráveis, onde sequer há estrutura ou regulamentação para conexões regulares.
A executiva lembrou que o mercado de saneamento está em expansão, com o novo marco legal atraindo grandes empresas nacionais e internacionais. “O ecossistema mudou. Hoje, vemos investimentos acelerados e um setor mais competitivo. A AEGEA atua com concessão plena de água e esgoto em todas as regiões do Brasil, atendendo desde cidades com mil habitantes até grandes centros com mais de sete milhões de pessoas”, pontuou.
Atualmente, a AEGEA lidera o setor privado no país, com atuação em 52 municípios do Paraná e cerca de 800 mil pessoas atendidas no estado. Com a recente vitória no leilão da Sanepar, a empresa inicia agora uma nova fase de expansão. “A primeira obra será em Tijucas do Sul. Mas sabemos que há muitos municípios paranaenses sem qualquer tratamento de esgoto. Nosso compromisso é avançar rapidamente, com planejamento, inovação e responsabilidade”, disse.
Priscila destacou que o contrato conquistado apresenta vários desafios e lacunas a serem superadas, especialmente no que se refere à infraestrutura existente, regularização de conexões e alcance de indicadores de desempenho. “Nosso modelo de contrato é orgânico, com foco na remuneração por resultado. Mas é preciso trabalhar coletivamente, com os órgãos ambientais e reguladores, para garantir a efetividade das metas”, explicou.
A executiva reforçou a necessidade de fechar o ciclo do saneamento, especialmente nas áreas mais vulneráveis. “Não existe política pública robusta para quem está fora do sistema. É preciso pensar em soluções ambientais completas — desde a destinação correta do lodo até o aproveitamento energético. A AEGEA já trabalha, por exemplo, com a previsão de destinação adequada para resíduos em aterro sanitário a partir de 2026”, afirmou.
Outro ponto levantado foi a necessidade de controle rigoroso sobre o lançamento de efluentes não domésticos. “Propusemos, inclusive, durante consulta pública da Agepar, uma tarifa diferenciada para quem lança fora dos parâmetros, como forma de desincentivar práticas que comprometem a rede. Defendemos também que se torne obrigatória a anuência prévia da Sanepar nesses casos”, disse.
Segundo Priscilia, o papel do Instituto Água e Terra (IAT) também será essencial para o sucesso da parceria público-privada. “É preciso reconhecer a PPP como instrumento legítimo e eficaz, com obrigações claras, como a transferência de licença ou outorga. Não se trata apenas de uma obra: é uma mudança estrutural na forma como tratamos o saneamento.”
Para ela, mais do que uma prestação de serviço, o saneamento é parte essencial de um novo pacto social. “Falar em saneamento é falar de qualidade de vida, saúde pública, valorização do território e inclusão. E isso só é possível se trabalharmos juntos: setor privado, poder público e sociedade.”
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Universalização do saneamento como base para cidades sustentáveis
A presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES), Selma Aparecida Cubas, defendeu a universalização do saneamento como ponto de partida para cidades mais justas, saudáveis e resilientes. Em palestra recente, ela destacou os desafios e oportunidades do setor, propondo uma abordagem integrada que vai da saúde pública à economia circular.
“O meu sonho é a universalização do saneamento. Esse é o primeiro passo para formar cidades e comunidades sustentáveis, saudáveis e resilientes”, afirmou Selma, ao destacar que o acesso à água potável, coleta e tratamento de esgoto, drenagem urbana e gestão de resíduos sólidos deve ser visto como um direito fundamental. “Sanear é prevenir doenças. Lembram da pandemia? A primeira instrução era: limpem tudo. Portanto, devemos pensar no saneamento no nosso dia a dia e, a partir daí, pensar no coletivo.”
Segundo ela, o saneamento ambiental é um conjunto de medidas que visa preservar ou modificar as condições do meio ambiente para prevenir doenças, promover a saúde e melhorar a qualidade de vida da população. “Quando tenho saneamento, tenho qualidade de vida, aumento a produtividade e gero economia. Saneamento é saúde, é desenvolvimento, é justiça social.”
Selma chamou atenção para o cenário atual no Brasil, em que mais de 32 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável. “Só na região Norte, esse índice chega a 29,8%. E as perdas no sistema de abastecimento de água chegam a 60%. Não podemos aceitar isso. Precisamos reduzir essas perdas físicas, que muitas vezes não são erro de medição, mas resultado de estruturas ineficientes”, criticou.
O esgoto também é um problema sério: cerca de 90 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta e tratamento de esgoto, sendo que no Norte esse índice alcança 84%. “Enquanto isso, estamos jogando fora metano, hidrogênio, fontes de bioenergia. É um desperdício enorme de potencial econômico e ambiental”.
A gestão inadequada dos resíduos sólidos foi outro ponto destacado por Selma. “Estamos gerando mais resíduos, principalmente com o crescimento populacional e o avanço tecnológico, e ainda não conseguimos dar fim aos lixões. A coleta seletiva ainda é de apenas 14% no Brasil. Isso sobrecarrega os aterros sanitários e aumenta os impactos ambientais.”
Para a especialista, é urgente repensar o ciclo de vida dos resíduos, identificar oportunidades e implantar políticas públicas voltadas à economia circular, bioenergia e soluções baseadas na natureza. “Falar de saneamento é falar de clima, de economia, de saúde, de educação. É tudo isso junto.”
Ela lembrou que um terço dos municípios brasileiros não possui sistema de drenagem urbana, o que agrava os impactos das chuvas intensas. “Estamos vivendo uma emergência climática. Grandes períodos de seca e chuvas cada vez mais concentradas. Sem drenagem, temos alagamentos, deslizamentos, prejuízos econômicos e sociais.”
Selma concluiu sua fala reforçando a necessidade de tratar o saneamento como prioridade nas políticas públicas. “Saneamento é a melhor vacina. É fator primordial na construção de cidades sustentáveis. Se quisermos um futuro mais justo e saudável, precisamos colocar o saneamento no centro das decisões”.
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Palestra magna confirma Eng. Ambiental como protagonista do futuro sustentável
Durante a palestra magna que abriu o 5º Encontro Sul Brasileiro de Engenharia Ambiental e Sanitária (ESBEA), o engenheiro ambiental Thiago Edwiges — doutor em Saneamento Ambiental e pós-doutor com passagens pela Griffith University (Austrália) e UFPR — destacou o papel central da engenharia ambiental e sanitária na construção de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado. “O engenheiro ambiental não é mais apenas o profissional do controle da poluição ou do saneamento. Hoje, assume o papel de articulador de soluções sustentáveis, capaz de integrar processos produtivos à lógica da economia circular e das energias renováveis”, afirmou.
Thiago destacou que o mundo vive uma transição sem precedentes e que a busca por fontes de energia limpas e sustentáveis já não é mais uma escolha, é uma exigência global. Nesse contexto, a bioeconomia circular surge como uma alternativa poderosa. “Ela vai além da reciclagem. É sobre pensar desde o início em produtos com menor impacto, transformar resíduos em insumos, em biocombustíveis, em energia. E essa transformação passa diretamente pelas mãos dos engenheiros ambientais”, reforçou.
Ao abordar o cenário brasileiro, o especialista destacou o protagonismo do país na geração de energia renovável. “O Brasil está entre os três maiores produtores de energia limpa do mundo. Quando se trata de bioenergia, somos o segundo. Isso mostra o nosso potencial — e a responsabilidade que temos”, disse, citando como exemplos de cases a bioeletricidade que gera valor com resíduos como o bagaço da cana, o licor preto da indústria de papel e celulose.
Os impactos das mudanças climáticas também foram pauta na palestra. Segundo ele, eventos extremos como as chuvas no Sul e a seca na Amazônia mostram que a escolha das matrizes energéticas tem efeitos diretos na vida das pessoas e na economia. “Cada vez que escolhemos como vamos produzir energia, estamos decidindo também qual será o impacto social e ambiental dessa decisão. O modelo minerador, de extrair, transformar, consumir e descartar, está com os dias contados”, alertou.
Em sua fala, ele abordou ainda o Planares (Plano Nacional de Resíduos Sólidos), que estabelece metas ousadas até 2040, como recuperar 48% dos resíduos e garantir que 100% tenham alguma forma de valorização. “Hoje esse índice é próximo de zero. A meta é ambiciosa, mas necessária. Precisamos investir em compostagem, biodigestão, tratamento mecânico-biológico. Isso é economia circular na prática”, explicou.
O engenheiro também apontou os combustíveis gasosos como tendência global. “O futuro energético será baseado em gases. Hoje, o metano já é uma realidade. Amanhã, será o hidrogênio. O Brasil aprovou recentemente a lei dos combustíveis do futuro, o que abre uma nova frente de oportunidades para nossa engenharia”, afirmou. Segundo ele, empresas e países estão assumindo compromissos de neutralização de carbono, e a substituição de combustíveis fósseis por gases renováveis será uma das principais estratégias.
Finalizando sua exposição, Thiago destacou a evolução das usinas de biogás no Brasil, que saltaram de 179 em 2015 para mais de 1.600 em 2024. “Essa revolução só foi possível graças ao avanço da tecnologia e, principalmente, ao conhecimento gerado dentro das universidades. Hoje, aproveitamos desde resíduos agrícolas até dejetos de peixe e açaí. É um campo em expansão e com imenso potencial para transformar o país”, concluiu.
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ESBEA 2025 reúne especialistas no Sul do Brasil para debater desafios ambientais e sanitários
A 5ª edição do Encontro Sul Brasileiro de Engenharia Ambiental e Sanitária – ESBEA, foi aberta nesta quinta-feira (26), em Curitiba, no auditório do Setor de Educação Profissional e Tecnológica da Universidade Federal do Paraná (SEPT/UFPR). O evento, considerado o principal da área no Sul do país, é uma realização da APEAM – Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais, em parceria com o CONFEA – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, e reúne profissionais, pesquisadores, estudantes e representantes de órgãos públicos para três dias de intensa programação técnica.
A programação foi iniciada com a palestra magna do engenheiro ambiental Thiago Edwiges, que abordou “O papel do Engenheiro Ambiental e Sanitarista no contexto da transição energética e da bioeconomia circular”. A abordagem provocou reflexões sobre o protagonismo da engenharia ambiental diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas e pelas exigências de um modelo de desenvolvimento mais equilibrado.
Ao dar as boas-vindas aos participantes, o presidente da APEAM, Luiz Guilherme Vieira, destacou a importância do evento para a valorização da profissão e o fortalecimento da categoria. “É com imensa satisfação que a Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais – APEAM abre as portas para o 5º Encontro Sul Brasileiro de Engenharia Ambiental e Sanitária! Este evento, que já se tornou um marco em nossa agenda, é fruto de um trabalho colaborativo e da crença na força da união para o avanço da nossa profissão”, afirmou. Ele também ressaltou a missão da entidade em promover debates qualificados e contribuir com o desenvolvimento técnico do Paraná. “Que este Encontro seja um espaço fértil para a construção de novas ideias, o aprimoramento de conhecimentos e o fortalecimento das redes de contato entre os profissionais da Engenharia Ambiental e Sanitária”.
Rede de conhecimento
A cerimônia de abertura contou com a presença de lideranças do setor, como Tatiana Pinheiro, presidente da FNEAS – Federação Nacional das Associações de Engenharia Ambiental e Sanitária. Em sua fala, ela destacou o papel das universidades e da ciência na formação de profissionais de excelência: “Não tem associativismo, não tem profissional, não tem nada sem a ciência, sem a universidade. Sempre que a gente volta para a universidade, a gente se sente acolhido. É um momento de reencontro, de troca e de valorização do conhecimento”. Tatiana também alertou para o atual momento de transição das políticas de licenciamento ambiental no Brasil. “É fundamental que a gente promova encontros como este para discutir, com respeito e base técnica, as mudanças na legislação e seus impactos”, completou.
Em seu pronunciamento de abertura, Renato Roland Corrêa da Silva, representante do CONFEA e também engenheiro ambiental, reforçou o compromisso do Conselho com a valorização da categoria. “Ser engenheiro ambiental no Brasil é uma luta. É uma formação que ainda está conquistando seu espaço nas universidades e no mercado. Abrir e manter esse espaço não é fácil. Parabéns a todos os envolvidos pela realização deste evento tão necessário”, declarou.
Já Edson Luiz Dalla Vecchia, diretor-geral da Mútua Paraná, reforçou o apoio da instituição aos profissionais registrados. “A Mútua é a caixa de assistência dos engenheiros. Disponibilizamos 18 tipos de benefícios que ajudam desde a compra de um carro até a aquisição de equipamentos e capacitação profissional. Nossa missão é apoiar os engenheiros a trilharem seus caminhos com mais estrutura e segurança”, comentou.
Universidade parceira
Representando a UFPR, a professora Joice Kuritza, do Departamento de Engenharia Ambiental, sublinhou a importância da parceria entre academia e setor produtivo. “O curso de engenharia ambiental da UFPR é um dos mais antigos do Brasil, e é essencial que esteja presente em eventos como este. A programação está riquíssima, e é uma oportunidade única para os nossos estudantes. É um evento gratuito, mas que só é possível graças aos patrocínios e ao envolvimento de diversas entidades. Que todos possam aproveitar ao máximo essa experiência”, afirmou.
Clésio Leonel, do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA/SC), também participou da mesa de abertura e fez uma análise realista sobre os desafios enfrentados pelos profissionais da área. “A área ambiental sempre foi conflituosa e está, cada vez mais, no centro dos debates. O órgão ambiental precisa fazer a gestão desses conflitos de forma técnica e equilibrada. Que este evento nos traga novos aprendizados e reflexões importantes”, resumiu.
Conteúdo diversificado
Com uma programação diversificada, o 5º ESBEA segue até sábado (28), com mesas-redondas, apresentação de trabalhos científicos e palestras técnicas. O evento promete consolidar ainda mais sua posição como um polo estratégico de discussão e fortalecimento da engenharia ambiental e sanitária no Brasil. Entre os temas centrais desta edição estão o novo cenário do licenciamento ambiental, a revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB) de Curitiba, além de pautas estratégicas como mobilidade urbana sustentável e transição energética – com foco na preparação para a COP30.
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EDITAL DE SELEÇÃO DE ARTIGOS PARA A REVISTA 2025
Inscrições Abertas para a 6ª Edição da Revista Paranaense de Engenharia Ambiental
A Associação Paranaense de Engenharia Ambiental (APEAM) anuncia a abertura das inscrições para a 6ª edição da Revista Paranaense de Engenharia Ambiental. Profissionais e estudantes da área têm até 05 de Maio para enviar seus artigos e compartilhar pesquisas, inovações e experiências relevantes para o setor.
Temas em Destaque
Os trabalhos podem abordar, entre outros:
✔ Atuação dos Engenheiros Ambientais
✔ Inteligência Artificial aplicada ao Meio Ambiente
✔ Gestão de Resíduos Sólidos
✔ Licenciamento Ambiental
✔ Uso de Drones em monitoramento ambiental
Normas para Submissão
- Artigos em português, com até 4 páginas;
- Formatação conforme as diretrizes do edital;
- Enviar arquivo em DOC + Termo de autorização;
- Inscrição gratuita via formulário online: https://forms.gle/VWRTS3WSM7kQrfci6.
Por que Participar?
- Divulgação científica: seu trabalho publicado em uma revista de referência;
- Visibilidade: alcance profissionais e instituições do setor;
- Contribuição para a área: fortaleça a Engenharia Ambiental com suas pesquisas.
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Anuidade 2025

Não esqueça de realizar a quitação da sua ANUIDADE 2025. Os associados da APEAM PR têm acesso a diversos benefícios exclusivos, como:
– Parcerias e Descontos:
- Acesso a cursos e palestras gratuitos, exclusivo para associados;
- Parceria com desconto na anuidade para acesso aos benefícios do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), como Plano de Saúde da UNIMED;
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– Networking e Oportunidades:
- Acesso a um grupo exclusivo no WhatsApp para associados, onde você pode tirar dúvidas, trocar experiências, divulgar e ter acesso a vagas de estágio e emprego, além de participar de discussões sobre a Engenharia Ambiental e Sanitária;
- Divulgação em primeira mão de eventos técnicos, descontos e participação em sorteios de vagas em cursos e eventos realizados em parceria com a APEAM;
- Eventos técnicos e workshops exclusivos para associados;
- Recebimento anual e em primeira mão da versão impressa da Revista Paranaense de Engenharia Ambiental.
– Representatividade e Informações Exclusivas:
- Representatividade frente ao CREA-PR, órgãos estaduais e municipais, sempre em defesa da classe.
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