“Uma política pública bem estruturada é essencial para impulsionar a inovação, viabilizar novas tecnologias e consolidar o conceito de sustentabilidade.” Com essa afirmação, Reginaldo Joaquim de Souza, representante da Innovatech, iniciou sua palestra sobre o panorama das políticas públicas em energia, destacando o protagonismo do Paraná na transição para uma matriz energética mais limpa e eficiente.
O Brasil já se destaca globalmente, com uma matriz composta por cerca de 80% de fontes renováveis. Mas, segundo Reginaldo, é preciso ir além. “Temos leis importantes como a dos Combustíveis do Futuro e programas nacionais voltados para o biometano e o hidrogênio de baixa emissão. Porém, o avanço só acontece quando políticas federais, estaduais e locais caminham juntas, com governança clara e metas concretas.”
No Paraná, programas como o Energia Inteligente e o RenovaPR têm se consolidado como referências em sustentabilidade energética. “O estado sempre esteve na vanguarda. Temos bases legais sólidas e instituições que favorecem o desenvolvimento de fontes limpas como o biogás e o hidrogênio renovável”, afirmou. Um dos destaques, segundo ele, é o Comitê de Governança formado para estimular essas cadeias produtivas. “É um modelo participativo que une órgãos públicos, universidades e setor privado — e que gera resultados”.
O crescimento da geração distribuída no estado é um reflexo dessa articulação. “O setor agroindustrial tem puxado o avanço de projetos solares e de biogás. É um movimento importante, com potencial de escala e geração de renda no campo”, destacou Reginaldo. Ele também ressaltou o papel das políticas públicas na atração de investimentos e no fortalecimento de parcerias público-privadas. “As chamadas públicas de P&D em energias limpas têm estimulado soluções locais com impacto global”.
Um dos desafios apontados é a formação profissional. “Com a expansão desses projetos, cresce a demanda por engenheiros, técnicos e consultores qualificados. Precisamos investir em capacitação para garantir que essa transição energética seja sustentável também do ponto de vista social”, alertou.
Nesse contexto, o papel do engenheiro ambiental ganha força. Reginaldo listou as diversas frentes de atuação desses profissionais: monitoramento de emissões em projetos de energia, planejamento de sistemas solares, eólicos e de biomassa, projetos com hidrogênio renovável e biogás, consultoria socioambiental e regulatória, além da elaboração de inventários de gases de efeito estufa e planos de descarbonização.
Apesar dos avanços, alguns gargalos ainda precisam ser superados, especialmente no desenvolvimento do hidrogênio como fonte energética. “O Paraná está fomentando o tema, mas é preciso discutir infraestrutura, regulação e incentivo para transformar o potencial em realidade. A chave está na integração: unir tecnologia à estratégia de descarbonização e aplicar isso em setores específicos, como os biocombustíveis”.
Para Reginaldo, o futuro da energia está sendo construído agora — e o Paraná tem papel estratégico nessa transformação. “Somos pioneiros, temos capital humano, capacidade técnica e políticas públicas que funcionam. O que precisamos é manter o foco, fortalecer a governança e garantir que a sustentabilidade seja o eixo central de todo esse processo”.
Conteúdo: Básica Comunicações
Foto: Jaqueline Stefanes
