Inclusão e tarifa zero na mobilidade urbana

Durante palestra sobre os desafios e soluções da mobilidade urbana, Roberto Gregório foi direto ao ponto: “Mobilidade sustentável precisa ser pensada em várias dimensões — e todas exigem soluções efetivas. Mas, quando falamos de inclusão, a palavra mágica tem cinco letras: bolso”. Para ele, discutir o custo do transporte público é central para garantir o direito de ir e vir, especialmente para as populações que mais dependem do serviço.

Gregório lembrou que o transporte público é um direito constitucional, e que não há outro caminho viável para garantir mobilidade urbana de forma sustentável. “O transporte coletivo, do ponto de vista da sustentabilidade, não tem concorrente. Mais carros nas ruas significa mais trânsito, mais estacionamentos, mais emissões e mais custos públicos. É o modal coletivo que pode, de fato, transformar a cidade”, afirmou.

Um dos pontos centrais da sua fala foi a defesa da tarifa zero, modelo que já vem sendo adotado em algumas cidades brasileiras e internacionais com resultados expressivos. “Não é exagero: as cidades que adotaram a tarifa zero constataram inclusão, aumento expressivo no número de usuários e redução de custos públicos — com menos acidentes, menos congestionamento e menos necessidade de infraestrutura viária.”

Segundo ele, investir no transporte coletivo é mais do que uma medida técnica, é uma política de equidade. “Temos que facilitar o transporte para quem precisa. E ele precisa ser acessível, com qualidade e universal. A tarifa integrada, por exemplo, é uma medida social altamente relevante para quem mora longe e depende de vários modais para chegar ao destino.”

Gregório também destacou que pensar a mobilidade urbana é olhar para o todo — e agir sobre os elementos que realmente fazem diferença. “Não adianta pensar em soluções periféricas. O transporte coletivo sustentável precisa estar no centro da discussão. Ele é o único que pode ser eficiente nas três dimensões da sustentabilidade: econômica, ambiental e social”.

Outro ponto destacado por ele foi a necessidade de onerar o transporte individual como forma de desincentivar seu uso. “Pedágio urbano, limite de velocidade, controle de acesso — muitas cidades já adotaram essas medidas. É preciso coragem política para avançar.”

Sobre o financiamento do transporte público, o especialista sugeriu mudanças estruturais, como a municipalização do imposto sobre combustíveis e a readequação de funções dentro do sistema. “Hoje, cerca de 15% dos custos do transporte coletivo estão relacionados aos cobradores. E temos uma altíssima rotatividade nessa função. É preciso repensar essas funções, integrando essas pessoas em outras atividades do sistema.”

Para concluir, Roberto Gregório reforçou: “Falar de mobilidade urbana é falar de inclusão. Se não for acessível para todos, não é solução. E para isso, precisamos parar de olhar o transporte público como despesa e passar a vê-lo como investimento social e estratégico. A tarifa zero não é utopia — é caminho.”

Conteúdo: Básica Comunicações

Foto: Jaqueline Stefanes

Inclusão e tarifa zero na mobilidade urbana

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