Crescimento com responsabilidade ambiental e segurança hídrica

Com uma abordagem técnica e integrada, a gestão pública de Curitiba tem avançado na implementação e revisão de políticas de saneamento básico. A experiência prática da cidade foi apresentada por Antônio Carlos Gerardi, diretor de Recursos Hídricos e Saneamento, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que destacou os principais desafios e estratégias para garantir qualidade ambiental e saúde pública.

 “A base da nossa atuação é a fiscalização ambiental, com vistorias hidrossanitárias, acompanhamento das redes públicas de água e esgoto e o monitoramento da qualidade dos recursos hídricos. O objetivo é garantir que a cidade cresça com responsabilidade ambiental e segurança hídrica”, explicou Gerardi.

Durante sua apresentação, ele detalhou o uso do Índice de Qualidade da Água (IQA) como ferramenta essencial para padronizar e analisar os recursos hídricos da capital. “Realizamos coletas semestrais em 131 pontos distribuídos nas seis bacias hidrográficas de Curitiba, incluindo águas superficiais, poços e bioindicadores. As análises são feitas por empresas contratadas por meio de licitação”, pontuou.

Apesar do avanço técnico, Gerardi reconheceu os desafios ainda presentes, como a baixa frequência de amostragens, a capacidade fiscalizatória limitada e a poluição difusa. Como proposta, defendeu a instalação de sensores fixos para monitoramento contínuo da qualidade da água nos corpos hídricos da cidade. “Com essa tecnologia, conseguimos detectar alterações de qualidade mais rapidamente, localizar com precisão as fontes poluidoras e direcionar de forma mais eficaz as ações de fiscalização.”

Outro eixo importante da política ambiental de Curitiba é o telediagnóstico e o georreferenciamento das redes de drenagem urbana, ferramentas que permitem identificar falhas estruturais e lançamentos irregulares. “Nosso objetivo é aprimorar o cadastro da rede de drenagem, detectar lançamentos irregulares e melhorar a infraestrutura urbana. Gestão ambiental exige planejamento, tecnologia e investimento em informação de qualidade”, afirmou.

A revisão do Plano Municipal de Saneamento Básico, realizada recentemente, foi marcada pela participação popular, com a incorporação de cerca de 14 sugestões e contribuições. “Atualizamos os indicadores de universalização, reforçamos metas e garantimos que tudo esteja em conformidade com a legislação vigente. Mas sabemos que é preciso convencer a população da importância de tratar o esgoto de forma correta, por isso, estamos trabalhando com indicadores de satisfação do usuário como forma de mensurar e melhorar o serviço prestado”.

Curitiba conta atualmente com 7,37 mil quilômetros de rede de abastecimento de água e 6,3 mil quilômetros de rede de tratamento de esgoto, alcançando 98% de cobertura de coleta de esgoto. Entre as ações em andamento, Gerardi citou o trabalho de recuperação do ecossistema do Rio Belém, com ações intersetoriais e a continuidade do programa Amigo dos Rios, que mobiliza as comunidades na fiscalização e na proposição de melhorias.

A integração de dados ambientais e operacionais é feita por meio de geoprocessamento e vem sendo aperfeiçoada com o uso do Hipervisor de Curitiba, ferramenta que centraliza e cruza informações para embasar decisões estratégicas. “Estamos aproveitando ao máximo a tecnologia disponível para garantir uma gestão cada vez mais eficiente e transparente.”

Por fim, Gerardi destacou o papel do poder público na regulação e fiscalização do setor, especialmente diante do crescimento do mercado de saneamento. “O setor está muito ativo, com várias licitações em andamento, concessões e parcerias público-privadas. Nesse contexto, fortalecer a regulação é essencial para garantir a universalização do saneamento com boa qualidade e menor preço para todos os usuários”, concluiu.

Conteúdo: Básica Comunicações

Foto: Jaqueline Stefanes

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