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Mercado de trabalho: confira entrevista com Michael Mannich

“O papel da APEAM é fundamental no reconhecimento e estabelecimento de direitos profissionais do engenheiro ambiental.”

 

“O curso de engenharia ambiental é difícil, a formação é ampla e multidisciplinar, e o mercado ainda é parcialmente receptivo. À medida que os primeiros Engenheiros Ambientais alcancem posições de gerência, chefias e tomada de decisão nas empresas privadas e órgãos públicos o reconhecimento da sociedade e do mercado irá se consolidar”. A observação é de Michael Mannich, que, além de ser formado pela UFPR e ter mestrado e doutorado em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental, é atualmente professor do curso de graduação em Engenharia Ambiental da UFPR. Confira a seguir a entrevista.

APEAM – Para iniciar, conte-nos um pouco de sua trajetória profissional como engenheiro ambiental.

Michael – Fui pesquisador no Lactec/CEHPAR entre 2008 e 2009, professor na UTP entre 2008 e 2009, professor na UTFPR entre 2010 e 2014, e no início desse ano ingressei como professor do curso de Engenharia Ambiental da UFPR.

APEAM – O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?

 Michael – O perfil do profissional, especialmente daquele formado pela UFPR. Uma sólida base de física, química e matemática fornecem os conhecimentos fundamentais para solução dos problemas de engenharia ambiental. Diferente de outras áreas técnicas, mais antigas e clássicas, o Engenheiro Ambiental se depara continuamente com novos problemas. Por isso a formação é sólida na base e não na técnica, permitindo que o profissional encontre novas soluções e não apenas aplique soluções já consolidadas.

APEAM – Qual sua área de atuação?

Michael – Como qualquer Engenheiro Ambiental minha área de atuação é bastante ampla, novamente graças à excelente formação. Especializei-me em mecânica dos fluidos ambiental, modelagem e qualidade da água, aplicados a lagos (reservatórios) e rios.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Michael – O mercado é conservador, preconceituoso, protecionista e até mesmo invejoso. Na verdade ele é assim porque os indivíduos agem desta forma. É conservador por ser um curso relativamente novo e na dúvida o empregador contrata o profissional “tradicional” que sempre resolveu (bem ou mal) os seus problemas. É preconceituoso, na mesma linha de raciocínio. É protecionista, pois todos são testemunhas do enorme esforço da APEAM na busca de reconhecimento e voz e muitos já experimentaram as dificuldades para reconhecimento de atribuições profissionais. Este é o preço que pagamos pelo pioneirismo e pela nossa qualidade. Destaco também de forma mais provocativa a inveja. A Engenharia Ambiental é um curso fantástico, certamente muitos profissionais lamentam não ter tido a oportunidade de tê-lo cursado.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?

Michael – Eu acho que os empregadores precisam ser menos conservadores e que o Engenheiro Ambiental precisa de reconhecimento maior perante o CREA. Neste contexto, a APEAM tem papel fundamental nesta transformação e busca por espaço. Acho também que a Universidade está muito distante neste diálogo e precisa se aproximar mais. Infelizmente, sob pena de sobrecarregar ainda mais as atividades dos docentes. Paralelamente também acho que este é um processo natural. À medida que os primeiros Engenheiros Ambientais alcancem posições de gerência, chefias e tomada de decisão nas empresas privadas e órgãos públicos o reconhecimento da sociedade e do mercado irá se consolidar. Eu particularmente estou ansioso por isso.

APEAM – Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Michael – É fundamental. A busca pelo espaço no mercado e no CREA é uma necessidade e um direito. Isso só pode ser alcançado por meio de pessoas unidas em busca de um interesse comum. A APEAM abriga estes indivíduos, lhes dá estrutura e uma camisa para vestir nesta luta. A APEAM representa os Engenheiros Ambientais e fortalece sua voz. Portanto, reforço que o papel da APEAM é fundamental neste processo de transformação, reconhecimento e estabelecimento de direitos profissionais do engenheiro ambiental.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Michael – Para meus alunos e todos os alunos de Engenharia Ambiental eu peço paciência e calma. O curso é difícil, a formação é ampla e multidisciplinar, e o mercado ainda parcialmente receptivo. Para os Engenheiros Ambientais formados eu desejo sucesso. Também peço que sempre honrem seus votos de formatura, que sejam honestos, justos, sérios e dedicados. Quero que se sintam orgulhosos e que compartilhem um espírito motivador com nossos jovens Engenheiros Ambientais. Peço que abram as portas para estes aprendizes e que estreitem os laços com a Universidade. Peço que sejam equilibrados em suas análises ambientais. Eu não gosto dos rótulos extremos que caracterizam os posicionamentos técnicos como “eco-chatos” ou “desenvolvimentista”. Sejam equilibrados e apliquem o real significado de sustentabilidade, que é distinto daquele que leigos balbuciam em nebulosas e presunçosas frases poéticas e desconexas como esta. Também peço paciência e que vistam a camisa da APEAM, pois um grupo unido e homogêneo tem muita força.