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Mercado de Trabalho: confira entrevista com Engenheiro Ambiental Marcelo Lentini Ribas

Mercado de Trabalho: confira entrevista com Engenheiro Ambiental Marcelo Lentini Ribas

“Priorizem na vida profissional e pessoal os princípios éticos e os valores morais. Não esqueçam que o engenheiro ambiental trabalha com equipes multidisciplinares e, sob esta perspectiva, além da sua aptidão e competência na engenharia, busquem conhecimento em outras áreas, como na economia, política, biologia e, principalmente, no direito ambiental” destaca Marcelo Lentini Ribas, graduado em engenharia ambiental pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), e atualmente Coordenador de Projetos na STCP Engenharia de Projetos.

APEAM – O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?

Marcelo – Não me recordo o evento que me motivou a optar pela Engenharia Ambiental, à época do vestibular. Somos demasiadamente imaturos aos 17 anos de vida para tomar a decisão da profissão que desejamos seguir. Hoje, agradeço imensamente por ter escolhido a Engenharia Ambiental.

APEAM – Qual sua área de atuação?

Marcelo – Atualmente, sou Coordenador de Projetos na STCP Engenharia de Projetos, onde trabalho há pouco mais de seis anos. Na STCP, tenho adquirido experiência em avaliações de impactos ambientais, vinculadas aos processos de licenciamento ambiental de empreendimentos industriais e rurais. Também atuo com o gerenciamento de resíduos sólidos e análises de qualidade de águas.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Marcelo – Felizmente e com muita sorte, antes mesmo da colação de grau, eu já estava contratado pela STCP. Entretanto, quero deixar uma mensagem aos estudantes: é importante fazer estágio, mas não se preocupem em estagiar em ‘’milhões’’ de empresas e órgãos públicos, porque as empresas que abrem oportunidades para recém-formados buscam o seu perfil profissional, e não, grandes experiências profissionais. Em outras palavras, as empresas têm buscado por profissionais éticos, sinceros, comprometidos e comunicativos.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?

Marcelo – Acredito que a engenharia ambiental já está consolidada no mercado de trabalho, mesmo que ainda haja um enorme potencial para crescimento. Costumo dizer aos amigos ‘’O engenheiro ambiental é igual paranista. Não se encontra aos montes, mas sempre tem um aonde for’’. E digo isso, pois tem sido comum encontrar engenheiros ambientais na grande maioria das empresas para as quais tenho trabalhado.

Indubitável é que o espaço do engenheiro ambiental no mercado de trabalho tem crescido nos últimos anos, com destaque na área de saneamento básico. O engenheiro ambiental tem atuado significativamente e com muita competência no abastecimento de água, no esgotamento sanitário, na limpeza urbana e manejo dos resíduos sólidos urbanos e industriais.

Como resultado, vagas têm sido abertas não apenas no setor privado, mas também no público, embora o mercado esteja extremamente seletivo. Exemplos de oportunidades no setor público são os frequentes concursos para engenheiro ambiental abertos por empresas de economia mista como a Petrobrás, Sanepar, Copel, Infraero, entre outras.

De forma semelhante, temos tido oportunidades no setor privado, isto é, na indústria, em construtoras, em empresas de consultoria e gerenciamento ambiental, em escritórios de engenharia, na área acadêmica etc.

APEAM – Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Marcelo – Um dos fatores para o fortalecimento da categoria é aumentar a nossa influência no CREA-PR. É bem verdade que não é um fácil iniciar o processo de reconhecimento de qualquer ‘’nova’’ profissão, sobretudo obter um prestígio em seu conselho de classe. Diante desse quadro, a APEAM tem atuado intensamente em favor do engenheiro ambiental junto ao CREA, com destaque aos engenheiros ambientais Helder Nocko e Renato Muzzolon Junior, que lideraram o início desse processo e hoje nos representam lá dentro.

APEAM Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Marcelo – Em primeiro lugar, priorizem na vida profissional e pessoal os princípios éticos e os valores morais. Não esqueçam que o engenheiro ambiental trabalha com equipes multidisciplinares e, sob esta perspectiva, além da sua aptidão e competência na engenharia, busquem conhecimento em outras áreas, como na economia, política, biologia e, principalmente, no direito ambiental.

Outro ponto: embora calcular derivadas e integrais estimule o raciocínio lógico matemático, e isso é incondicionalmente importante, posso afirmar a vocês que elas pouco servirão nas suas vidas profissionais, salvo casos especiais.

Por esta razão, dediquem-se em matérias aplicadas à prática profissional, tais como: tratamento de efluentes domésticos e industriais; abastecimento de água; monitoramento e controle de emissões atmosféricas; avaliação de impactos ambientais; gerenciamento de resíduos sólidos, entre outras correlatas.

Por fim, aos que desejam se especializar em uma área específica, existe uma escassez no mercado de trabalho por profissionais especialistas em análise de riscos ambientais. Sem dúvidas, é uma oportunidade para ser diferenciado no mercado.

Mercado de Trabalho: Engenheiro Ambiental Rafael Coelho Ciciliato

Mercado de Trabalho: Engenheiro Ambiental Rafael Coelho Ciciliato

“Hoje o campo da pesquisa está bem avançado na área ambiental, com diversas soluções viáveis economicamente e ambientalmente corretas. Entretanto, os órgãos fiscalizadores (IAP, CETESB, INEA, etc) fiscalizam muito pouco, e muitos empreendimentos funcionam sem licenças ambientais e com licenças vencidas. O rigor na fiscalização deve ser maior, e consequentemente surgirá mais demanda de serviços na nossa área”. A observação é de Rafael Coelho Ciciliato, engenheiro ambiental e mestrando em Engenharia Ambiental pela UTFPR de Londrina. Atualmente, Ciciliato trabalha como analista ambiental na empresa Master Ambiental.

 

Confira a entrevista realizada com o engenheiro ambiental Rafael:

APEAM – Para iniciar, conte-nos um pouco de sua trajetória profissional como engenheiro ambiental.

RafaelDurante a fase acadêmica, participei por quatro anos consecutivos das atividades de Iniciação Científica, sendo dois anos na linha de pesquisa de Tratamento Biológico de Efluentes e dois anos na linha de pesquisa de Tratamento Eletroquímico de Efluentes. Fui monitor de duas disciplinas, Fenômenos de Transporte e Física III. Estagiei por seis meses em uma empresa de Geoprocessamento e um ano e meio em Consultoria Ambiental.

APEAM – O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?

Rafael Antes de cursar a graduação, cursei concomitante com o Ensino Médio o Técnico em Meio Ambiente. Meu pai é Engenheiro Agrônomo e sempre me passou os ensinamentos de seu curso, seja em conversa quanto praticamente em sua propriedade rural. Além desses fatores, eu sempre gostei da área ambiental aliada a matemática, e justamente no ano que conclui o ensino médio, abriu a graduação na UTFPR-LD, que com sucesso fui aprovado, hoje formado, e atualmente cursando o Mestrado Acadêmico em Engenharia Ambiental.

APEAM – Qual sua área de atuação?

RafaelJá atuei em todas as áreas aqui na Master Ambiental, sendo elas: Licenciamento Ambiental, Resíduos, Recursos Hídricos, Poluição Atmosférica e Passivo Ambiental. Atualmente trabalho na parte de Infraestruturas, principalmente rodovias, seja em seu licenciamento que é bem complexo, envolvendo EIA/RIMA, RAP, PCA, Programas Ambientais, e também na parte da Gestão Ambiental das Rodovias, que consiste em seu monitoramento mensal com geração de relatórios de desempenho ambiental das obras.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Rafael Principalmente na conquista do primeiro emprego, pois apesar de ser um curso promissor, ainda tem poucas vagas disponíveis. Quando estamos empregados, a todo o momento senti a necessidade de estudar mais para conseguir realizar com sucesso as atividades no trabalho.

APEAM A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?

RafaelHoje o campo da pesquisa está bem avançado na área ambiental, com diversas soluções viáveis economicamente e ambientalmente corretas. Entretanto, os órgãos fiscalizadores (IAP, CETESB, INEA, etc) fiscalizam muito pouco, e muitos empreendimentos funcionam sem licenças ambientais e com licenças vencidas. O rigor na fiscalização deve ser maior e, consequentemente, surgirá mais demanda de serviços na nossa área.

APEAM – Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

RafaelImportante, pois a união dos profissionais faz a força da classe e, consequentemente, conquistas. Uma andorinha não faz verão.

APEAM: Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

RafaelQue estudem bastante na universidade, para que possam sair mais preparados para o mercado de trabalho. Busquem sempre estágios, atividades acadêmicas, feiras, excursões, etc. E sempre acreditem na nossa profissão.

Mercado de trabalho: entrevista com Flavia Deboni

Mercado de trabalho: entrevista com Flavia Deboni

Falta uma visão, por parte das empresas, de que cuidar da área ambiental muitas vezes também significa ganhar lá na frente.”

“Falta fiscalização ambiental efetiva por parte dos órgãos ambientais, fazendo com que as empresas e municípios passem a se preocupar mais com o assunto e investir mais nessa área”, enfatiza a engenheira ambiental Flavia Deboni em entrevista por email à APEAM. Para ela, falta ainda uma visão, por parte das empresas, de que cuidar da área ambiental muitas vezes também significa ganhar lá na frente, evitando multas, reduzindo a utilização de recursos naturais, reduzindo também a geração de resíduos, emissões, e efluentes, ou seja, diminuindo seus custos.

 Confira a entrevista realizada com a engenheira ambiental Flavia Deboni:

APEAM: Para iniciar, conte-nos um pouco de sua trajetória profissional como engenheira ambiental.

Flavia: Atuei como estagiária na HAZTEC TECNOLOGIA E PLANEJAMENTO na investigação geoambiental em refinarias da Petrobrás e auxiliei na avaliação de risco à saúde humana em áreas industriais e segmento de petróleo e gás. Também fui estagiária na CAMARGO CORRÊA e atuei na gestão ambiental da obra da Linha Verde – eixo metropolitano de Curitiba.

APEAM: O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?

Flavia: O que me motivou foi meu interesse por assuntos relacionados ao meio ambiente e por ser um curso de engenharia.

APEAM: Qual sua área de atuação?

Flavia: Atuo na área de licenciamento ambiental, principalmente no licenciamento de atividades relacionadas a resíduos sólidos (aterros sanitário e industrias, áreas de transbordo, compostagem, barracões de triagem, sistemas de tratamento de resíduos) e atividades industriais. Avalio processos de licenciamento ambiental e participo na elaboração de resoluções e portarias estaduais sobre o tema.

APEAM: Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Flavia: Falta de comprometimento e preocupação com as questões ambientais, por parte das empresas e municípios. Outra dificuldade encontrada é a falta de qualificação técnica dos profissionais, que muitas vezes nem são da área ambiental.

APEAM: A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?

Flavia: Falta ainda a fiscalização ambiental efetiva por parte dos órgãos ambientais, fazendo com que as empresas e municípios passem a se preocupar mais com o assunto e investir mais nessa área. Também falta uma visão, por parte das empresas, de que cuidar da área ambiental muitas vezes também significa ganhar lá na frente, evitando multas, reduzindo a utilização de recursos naturais, reduzindo também a geração de resíduos, emissões, e efluentes, ou seja, diminuindo seus custos.

APEAM: Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Flavia: A APEAM é fundamental nesse processo, defendendo a categoria e impedindo que profissionais que não sejam da área ambiental e não possuam as devidas qualificações consigam atuar, de forma a prejudicar o próprio setor ambiental e quem contrata seus serviços. No IAP vemos muitos profissionais desqualificados prestando serviço e prejudicando a aprovação e execução de projetos.

APEAM: Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Flavia: Que se esforcem e busquem sempre aprender, já que a Engenharia ambiental possui uma ampla área de atuação.

Mercado de trabalho: entrevista com a perita e engenheira ambiental Angela Andreassa

Mercado de trabalho: entrevista com a perita e engenheira ambiental Angela Andreassa

“A perícia ambiental criminal consiste no levantamento dos vestígios em locais de crimes contra o meio ambiente e é fundamental na elucidação dos processos ambientais. Realizo exames periciais em locais de incêndio, acidentes de trabalho, desabamentos, desmoronamentos, explosões e crimes ambientais. Dentre os locais de crimes ambientais mais atendidos pela Seção na qual trabalho estão os de desmatamento, maus tratos a animais, depósito de resíduos e poluição em geral”, destaca Angela Andreassa, engenheira ambiental e especialista em Engenharia de Campo (Saúde, Meio Ambiente e Segurança) e em Segurança Pública com ênfase em Perícia Criminal. Atualmente, Angela atua como perita criminal na Polícia Científica do Paraná.

Confira a entrevista.

APEAM – Para iniciar, conte-nos um pouco de sua trajetória profissional como engenheira ambiental.

Angela – Trabalhei como Analista Ambiental na empresa Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental S.A., na qual elaborava propostas técnicas na área ambiental e coordenava equipes na realização de investigação, monitoramento e remediação ambiental em áreas contaminadas.

APEAM – O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?

Angela – Escolhi fazer Engenharia Ambiental, pois visualizei no curso a possibilidade de conciliar a área de exatas com o meio ambiente, buscando desenvolver tecnologias e processos que pudessem minimizar e/ou remediar os impactos ambientais das atividades antrópicas.

APEAM – Qual sua área de atuação?

Angela – Sou Perita Criminal da Polícia Científica do Estado do Paraná e atualmente trabalho na Seção de Engenharia Legal, na qual realizo exames periciais em locais de incêndio, acidentes de trabalho, desabamentos, desmoronamentos, explosões e crimes ambientais. Dentre os locais de crimes ambientais mais atendidos pela Seção na qual trabalho estão os de desmatamento, maus tratos a animais, depósito de resíduos e poluição em geral. De acordo com o Código de Processo Penal, cabe ao perito criminal realizar exame de corpo de delito e elaborar o laudo pericial de toda infração que deixar vestígios. Neste contexto está inserida a perícia ambiental criminal, a qual consiste no levantamento dos vestígios em locais de crimes contra o meio ambiente, é fundamental na elucidação dos processos ambientais e tem sido cada vez mais demandada pelo Ministério Público, Delegacias de Polícia e Magistrados.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Angela – Atualmente a maior dificuldade do Engenheiro Ambiental no mercado de trabalho é a concorrência com diversos profissionais de outras áreas. Infelizmente, pela falta de conhecimento das atribuições do Engenheiro Ambiental, muitas empresas e/ou órgãos públicos optam por contratar profissionais de cursos mais antigos e renomados.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?

Angela – Acredito que para a Engenharia Ambiental atingir o crescimento esperado é necessário divulgar ainda mais as atribuições e a importância desta profissão. A divulgação citada anteriormente não se resume apenas naquela realizada pelas entidades representativas, mas sim na realizada pelos próprios Engenheiros Ambientais, através da execução de um excelente trabalho em todos os ramos do mercado em que atuem.

APEAM – Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Angela – A APEAM é fundamental para o fortalecimento da categoria, pois se tornou o melhor canal para comunicação dos anseios e conquistas da classe, unindo-nos e nos motivando sempre. Além disso, trabalha arduamente para a divulgação da profissão e luta pelas atribuições dos Engenheiros Ambientais.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Angela – No início do curso de Engenharia Ambiental já é possível perceber que a área ambiental é bastante ampla, desafiadora e nada rotineira. Nosso curso não possui tempo hábil de aprofundar-se em todas as subdivisões desta área, por isso procurem fazer vários estágios, cursos de aprofundamento, especializações, além de buscar o conhecimento por meio de pesquisas próprias diante de cada novo desafio.

Mercado de trabalho: confira entrevista com Michael Mannich

Mercado de trabalho: confira entrevista com Michael Mannich

“O papel da APEAM é fundamental no reconhecimento e estabelecimento de direitos profissionais do engenheiro ambiental.”

 

“O curso de engenharia ambiental é difícil, a formação é ampla e multidisciplinar, e o mercado ainda é parcialmente receptivo. À medida que os primeiros Engenheiros Ambientais alcancem posições de gerência, chefias e tomada de decisão nas empresas privadas e órgãos públicos o reconhecimento da sociedade e do mercado irá se consolidar”. A observação é de Michael Mannich, que, além de ser formado pela UFPR e ter mestrado e doutorado em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental, é atualmente professor do curso de graduação em Engenharia Ambiental da UFPR. Confira a seguir a entrevista.

APEAM – Para iniciar, conte-nos um pouco de sua trajetória profissional como engenheiro ambiental.

Michael – Fui pesquisador no Lactec/CEHPAR entre 2008 e 2009, professor na UTP entre 2008 e 2009, professor na UTFPR entre 2010 e 2014, e no início desse ano ingressei como professor do curso de Engenharia Ambiental da UFPR.

APEAM – O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?

 Michael – O perfil do profissional, especialmente daquele formado pela UFPR. Uma sólida base de física, química e matemática fornecem os conhecimentos fundamentais para solução dos problemas de engenharia ambiental. Diferente de outras áreas técnicas, mais antigas e clássicas, o Engenheiro Ambiental se depara continuamente com novos problemas. Por isso a formação é sólida na base e não na técnica, permitindo que o profissional encontre novas soluções e não apenas aplique soluções já consolidadas.

APEAM – Qual sua área de atuação?

Michael – Como qualquer Engenheiro Ambiental minha área de atuação é bastante ampla, novamente graças à excelente formação. Especializei-me em mecânica dos fluidos ambiental, modelagem e qualidade da água, aplicados a lagos (reservatórios) e rios.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Michael – O mercado é conservador, preconceituoso, protecionista e até mesmo invejoso. Na verdade ele é assim porque os indivíduos agem desta forma. É conservador por ser um curso relativamente novo e na dúvida o empregador contrata o profissional “tradicional” que sempre resolveu (bem ou mal) os seus problemas. É preconceituoso, na mesma linha de raciocínio. É protecionista, pois todos são testemunhas do enorme esforço da APEAM na busca de reconhecimento e voz e muitos já experimentaram as dificuldades para reconhecimento de atribuições profissionais. Este é o preço que pagamos pelo pioneirismo e pela nossa qualidade. Destaco também de forma mais provocativa a inveja. A Engenharia Ambiental é um curso fantástico, certamente muitos profissionais lamentam não ter tido a oportunidade de tê-lo cursado.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?

Michael – Eu acho que os empregadores precisam ser menos conservadores e que o Engenheiro Ambiental precisa de reconhecimento maior perante o CREA. Neste contexto, a APEAM tem papel fundamental nesta transformação e busca por espaço. Acho também que a Universidade está muito distante neste diálogo e precisa se aproximar mais. Infelizmente, sob pena de sobrecarregar ainda mais as atividades dos docentes. Paralelamente também acho que este é um processo natural. À medida que os primeiros Engenheiros Ambientais alcancem posições de gerência, chefias e tomada de decisão nas empresas privadas e órgãos públicos o reconhecimento da sociedade e do mercado irá se consolidar. Eu particularmente estou ansioso por isso.

APEAM – Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Michael – É fundamental. A busca pelo espaço no mercado e no CREA é uma necessidade e um direito. Isso só pode ser alcançado por meio de pessoas unidas em busca de um interesse comum. A APEAM abriga estes indivíduos, lhes dá estrutura e uma camisa para vestir nesta luta. A APEAM representa os Engenheiros Ambientais e fortalece sua voz. Portanto, reforço que o papel da APEAM é fundamental neste processo de transformação, reconhecimento e estabelecimento de direitos profissionais do engenheiro ambiental.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Michael – Para meus alunos e todos os alunos de Engenharia Ambiental eu peço paciência e calma. O curso é difícil, a formação é ampla e multidisciplinar, e o mercado ainda parcialmente receptivo. Para os Engenheiros Ambientais formados eu desejo sucesso. Também peço que sempre honrem seus votos de formatura, que sejam honestos, justos, sérios e dedicados. Quero que se sintam orgulhosos e que compartilhem um espírito motivador com nossos jovens Engenheiros Ambientais. Peço que abram as portas para estes aprendizes e que estreitem os laços com a Universidade. Peço que sejam equilibrados em suas análises ambientais. Eu não gosto dos rótulos extremos que caracterizam os posicionamentos técnicos como “eco-chatos” ou “desenvolvimentista”. Sejam equilibrados e apliquem o real significado de sustentabilidade, que é distinto daquele que leigos balbuciam em nebulosas e presunçosas frases poéticas e desconexas como esta. Também peço paciência e que vistam a camisa da APEAM, pois um grupo unido e homogêneo tem muita força.

Mercado de trabalho: “Mercado de trabalho exige profissionais com alto nível de conhecimento técnico, capacidade de resolução de problemas e dedicação.”

Mercado de trabalho: “Mercado de trabalho exige profissionais com alto nível de conhecimento técnico, capacidade de resolução de problemas e dedicação.”

Buscando mostrar as diversas oportunidades da área de Engenharia Ambiental, entrevistamos o engenheiro ambiental Gustavo Sampaio, formado na UFPR, que possui diversos cursos de pós-graduação, dentre os quais Sistemas Minero-Metalúrgicos, Engenharia de Segurança do Trabalho, MBA em Gestão Negócios Sustentáveis, Gerenciamento de Projetos, e atualmente cursa mestrado profissional em Uso Sustentável de Recursos Naturais em Regiões Tropicais.

Atualmente Sampaio é Analista Ambiental Master na Vale S/A, e anteriormente passou por diversas outras empresas conhecidas nacionalmente. “O mercado de trabalho exige profissionais com alto nível de conhecimento técnico, capacidade de resolução de problemas e dedicação. É importante que essas três habilidades sejam desenvolvidas durante o período da graduação em atividades dentro ou fora da sala de aula”, ressalta.

Confira a entrevista realizada com o engenheiro ambiental Gustavo:

 
APEAM – Para iniciar, conte-nos um pouco de sua trajetória profissional como engenheiro ambiental.

Gustavo – Iniciei minha carreira em 2006 como Trainee na mineradora Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale) como responsável pela Gestão de Recursos Hídricos, Qualidade do Ar e Emissões Atmosféricas no Complexo de Ponta da Madeira em São Luís (MA). Em 2008 fui para a mineradora anglo-australiana Rio Tinto em Corumbá (MS) onde atuei como responsável técnico pelo Monitoramento Ambiental e licenciamento Meio Físico do Projeto de Expansão da Mina e Sistema Logístico e operações da mina de ferro e do terminal portuário. No Rio de Janeiro a partir de 2009, fui responsável pelo desenvolvimento de soluções em segurança do trabalho e proteção ao meio ambiente na distribuidora de combustíveis Ipiranga. Atuei também como responsável corporativo pelos processos de sustentabilidade ambiental da empresa, incluindo gestão estratégica de carbono e consolidação e reporte de indicadores ambientais de sustentabilidade. Desde 2012 trabalho na área de Emissões Atmosféricas, Ruído e Vibração Ambiental da mineradora Vale.

APEAM – O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?

Gustavo – A Engenharia Ambiental é um curso moderno e multidisciplinar com base sólida na engenharia e interfaces com ciências naturais, da terra e até sociais. Além disso, a atuação com foco na minimização, mitigação e compensação de impactos ambientais é um desafio grande e motivador.

APEAM – Qual sua área de atuação?

Gustavo – Trabalho na área corporativa de meio ambiente da Vale, na Gerência de Tecnologia Ambiental. Atuo na área de Emissões Atmosféricas, Ruído e Vibração Ambiental. Participo de projetos relacionados ao controle de emissões atmosféricas e monitoramento ambiental em empreendimentos de exploração, beneficiamento e transporte de minério de ferro, carvão e ferroligas. Também desempenho atividades de apoio corporativo, como consolidação de indicadores de desempenho ambiental, elaboração de documentos normativos e realização de treinamentos.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Gustavo – A transição do mundo acadêmico para o mercado de trabalho não foi fácil pois muitas empresas optam por contratar profissionais com alguma experiência prévia. Nesta situação, optei por ingressar em uma empresa que valoriza os novos profissionais com oportunidades de treinamento e desenvolvimento de carreira.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?

Gustavo – Acredito que a consolidação do Engenheiro Ambiental no mercado de trabalho depende agora do desempenho dos profissionais já formados. Os diferenciais do Engenheiro Ambiental frente aos demais profissionais da área devem ser reconhecidos pelas empresas, que darão preferência aos Engenheiros Ambientais quando convencidos da versatilidade e refinada capacidade técnica da nossa profissão.

APEAM – Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Gustavo – Outro ponto importante na conquista do mercado de trabalho pela Engenharia Ambiental é a divulgação da profissão e o fortalecimento da categoria frente a órgãos de classe e empresas de referência em setores importantes da indústria brasileira. Este é um papel que pode ser desempenhado pela APEAM, que representa os Engenheiros Ambientais e pode estabelecer esses vínculos institucionais.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Gustavo – O mercado de trabalho exige profissionais com alto nível de conhecimento técnico, capacidade de resolução de problemas e dedicação. Portanto, é importante que essas três habilidades sejam desenvolvidas durante o período da graduação em atividades dentro ou fora da sala de aula. Recomendo o envolvimento do aluno em atividades como Centro Acadêmico, Empresa Júnior, Iniciação Científica e/ou estágios externos para se prepararem melhor para os desafios rofissionais que enfrentarão.

Mercado de trabalho: “A engenharia ambiental já deixou de ser a profissão do futuro, ela é profissão do presente!”

Mercado de trabalho: “A engenharia ambiental já deixou de ser a profissão do futuro, ela é profissão do presente!”

A Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais – APEAM tem como objetivos valorizar, fortalecer e integrar a classe dos profissionais de Engenharia Ambiental do Paraná. Nesse sentido, buscando mostrar as diversas oportunidades da área de Engenharia Ambiental, entrevistamos a engenheira ambiental Carolina de Paula Furlan, formada na UFPR, e com mestrado em Hydroinformatics and Water Management (EuroAquae – programa Erasmus Mundus).

Furlan, atualmente ocupando o cargo de Engenheira de Projetos na Suez Environnement – Lyonnaise des Eaux (França) pensa que a engenharia ambiental já deixou de ser a profissão do futuro, ela é profissão do presente. “É preciso também entender que o engenheiro ambiental não ‘rouba’ o trabalho de outra profissão. São novos problemas que surgiram com a evolução da sociedade e que os engenheiros ambientais devem resolver propondo novas soluções”, disse.

Abaixo segue a entrevista realizada com a engenheira ambiental Carolina:

APEAM: Para iniciar, conte-nos um pouco de sua trajetória profissional como engenheira ambiental.
Carolina: Trabalhei na empresa de consultoria VPC/Brasil em Curitiba-PR durante dois anos após a formatura. Nessa empresa tive a oportunidade de participar em projetos de urbanismo (Planos Diretores) e coordenar Estudos de Impacto Ambiental. Fiz um mestrado que me permitiu viver em três países diferentes: Espanha (Barcelona), Inglaterra (Newcastle upon Tyne) e na França (Nice e Paris). Nesse mestrado a mobilidade do estudante é obrigatória (Programa Erasmus Mundus). Após o término do mestrado, a empresa onde eu fiz estágio me ofereceu uma vaga para um projeto de drenagem urbana com pilotagem dinâmica. Aceitei a proposta e estou até hoje trabalhando nessa empresa. Faz cinco anos que estou morando na França e trabalhando na Suez Environnement.

APEAM: O que lhe motivou a fazer o curso de Engenharia Ambiental?
Carolina: Na época do vestibular eu estava em dúvida entre arquitetura e engenharia ambiental. Foi durante uma palestra do professor Eduardo Gobbi no cursinho, onde ele mostrou o Estudo de Impacto Ambiental da ponte-túnel que liga a Dinamarca e a Suécia, que eu me apaixonei pelo assunto. Nesse dia eu tive a certeza que eu queria participar de projetos que iriam fazer uma diferença no mundo, uma diferença pra melhor.

APEAM: Qual sua área de atuação?
Carolina: Manutenção e gestão de redes de esgoto. Como a França é um país onde o saneamento básico já é bem desenvolvido, a problemática aqui não é a implantação de redes, mas sim a gestão destas. A função das redes de esgoto é o transporte de líquidos, sólidos e gases até o tratamento. Para isso, a rede precisa estar em boas condições. E é a manutenção e a gestão das redes de esgoto que determinam as boas condições de “trabalho” das mesmas.

APEAM: Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?
Carolina: Preciso dizer que tive muita sorte na minha vida profissional e nunca encontrei grandes dificuldades no meu caminho. Antes da formatura eu já tinha uma proposta de trabalho na empresa onde fiz estágio e o mesmo se repetiu após meu mestrado. No entanto, sei que o dia que eu quiser retornar ao Brasil terei que enfrentar uma grande questão que já é debatida hoje: o engenheiro ambiental pode ou não trabalhar com saneamento? Muitas vezes essa área de atuação é creditada ao engenheiro civil ou ao engenheiro sanistarista.

APEAM: A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que está faltando para que este fato seja concretizado?
Carolina: Acredito que, como todas as novas profissões, a engenharia ambiental precisa de tempo. Claro que só o tempo não resolve o problema. É com a atuação e competência de engenheiros ambientais no mercado que a categoria vai se impor e mostrar o porquê foi criada. É preciso também entender que o engenheiro ambiental não “rouba” o trabalho de outra profissão. São novos problemas que surgiram com a evolução da sociedade e que os engenheiros ambientais devem resolver propondo novas soluções.

APEAM: Na sua opinião, qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?
Carolina: A APEAM é importantíssima! É através da APEAM que os engenheiros ambientais podem se unir, debater questões em comum e encontrar nela o suporte necessário para o crescimento da profissão. Ela é a imagem e a representação de todos os engenheiros ambientais no mercado de trabalho.

APEAM: Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?
Carolina: A engenharia ambiental já deixou de ser a profissão do futuro, ela é profissão do presente! Mãos à obra que trabalho é o que não falta.

Mercado de Trabalho: Engenheira ambiental e mestre em Gestão Urbana Daniele Costacurta Gasparin

Mercado de Trabalho: Engenheira ambiental e mestre em Gestão Urbana Daniele Costacurta Gasparin

A Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais – APEAM vem buscando valorizar, fortalecer e integrar a classe dos profissionais de Engenharia Ambiental do Paraná. Pretendendo mostrar os desafios e oportunidades da nossa área, entrevistamos a engenheira ambiental e mestre em Gestão Urbana Daniele Costacurta Gasparin.

Gasparin, atual diretora de Programas e Projetos Ambientais da Prefeitura de Colombo, diz que a ausência de informações sobre as competências do Engenheiro Ambiental ocasiona perda de espaço no mercado de trabalho. “Perdemos muito espaço no mercado do trabalho, concorrendo com outras profissões mais antigas”, ressaltou.

Além de desenvolver programas e projetos na área de meio ambiente, Gasparin analisa aspectos ambientais na implantação de empreendimentos industriais e imobiliários no município; apoia na elaboração de políticas públicas na área de meio ambiente e de Pareceres técnicos; oferece suporte técnico nas ações do Ministério Público e participa dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente e Turismo; da Câmara Técnica da APA do Iraí; e do Conselho Técnico do Consórcio Intermunicipal para a Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos da RMC. 

Abaixo segue a entrevista realizada com a engenheira ambiental:

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Daniela – Acredito que a principal carência está na ausência de informações sobre as competências do Engenheiro Ambiental, com isso perdemos muito espaço no mercado do trabalho concorrendo com outras profissões mais antigas.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

Daniela – Mais informação e divulgação sobre a nossa profissão, valorizando o nicho de mercado que podemos atuar, deixando muito claro quais são nossas atribuições e no que podemos contribuir enquanto profissionais da engenharia.

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Daniela – No fortalecimento e valorização da categoria, na luta pelos nossos direitos de profissionais.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Daniela – Entendo a Engenharia Ambiental como uma nova engenharia, que promete trazer muitas soluções para o equilíbrio ambiental x social x econômico, portanto nosso compromisso com a vida é ainda mais sério, somos profissionais de Meio Ambiente!

 

Mercado de Trabalho: Engenheiro ambiental e LEED AP BD+C João Gallo

Mercado de Trabalho: Engenheiro ambiental e LEED AP BD+C João Gallo

A Associação Paranaense dos Engenheiros Ambientais – APEAM vem buscando valorizar, fortalecer e integrar a classe dos profissionais de Engenharia Ambiental do Paraná. Pretendendo mostrar os desafios e oportunidades da nossa área, criamos em nosso site o quadro “Mercado de Trabalho”, para destacar como profissionais deste campo alcançaram e estão a alcançar o tão almejado sucesso. A APEAM escolheu o engenheiro ambiental João Vitor Gallo como exemplo de sucesso na carreira. Gallo possui MBA em Sistema de Gestão Ambiental, é LEED AP BD+C (LEED Accredited Professional) e atua como Coordenador de Projetos em certificação LEED (certificação de edifícios sustentáveis) e em projetos de eficiência no uso de água predial na Petinelli Consultoria Empresarial.

foto João Gallo

APEAM – Qual é a importância da certificação LEED?

João Gallo – O LEED é uma ferramenta muito importante de mudança em como as edificações são concebidas. Atualmente, o setor da construção civil é responsável pelo consumo de aproximadamente 55% da madeira e 40% de matérias-primas e energia em âmbito mundial. O LEED é uma certificação criada pelo conselho norte americano de construções sustentáveis (USGBC) para, a partir de um padrão de referência, diminuir os impactos ambientais durante a obra e também na operação do edifício através de equipamentos e sistemas eficientes. O interessante deste selo, e um dos motivos pelo qual é o mais utilizado no mundo, é que como é possível medir os níveis de redução e eficiência também é possível recompensar, através de níveis de certificação (Básica, Prata, Ouro e Platina). Dessa forma, uma empresa que possui uma fábrica certificada com o nível prata, por exemplo, faz com que o seu concorrente também vá atrás de uma certificação igual ou superior. Essa disputa movimenta o mercado e faz com que o numero de construções sustentáveis cresça ano após ano e consequentemente diminua o impacto ambiental causado pela construção civil.

APEAM – Por que você se interessou por esta área?

João Gallo – Sempre fui atraído por eficiência, tinha (e ainda tenho) o hábito de buscar a lâmpadas que consumiam menos, equipamentos eletrônicos com selo de eficiência energética (Procel A, Energy Star…) e sempre que olhava pela janela do meu quarto a noite via o centro da cidade repleto de prédios com seus “quadradinhos” acesos e imaginava que em cada ambiente daquele havia uma família que lava-roupa, toma banho, escova os dentes, cozinha vêem TV, ligam a geladeira, etc. e imaginava o quanto uma cidade pode consumir os recursos naturais e energéticos e o quanto disso provavelmente era desperdício. Então decidi que gostaria de estudar o tema mais a fundo e nada melhor do que a monografia de conclusão de curso para isso. Durante as minhas pesquisas meu orientador (Dr. Carlos Melo Garcias) me recomendou ler sobre a certificação LEED, e quando tive contato com os guias de referência e os cursos que fiz na sequencia, não tive dúvidas que essa seria a área em que eu gostaria de atuar.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

João Gallo – Logo que terminei a faculdade optei por qualificar meu currículo e expandir meus conhecimentos com um MBA em Sistema de Gestão Ambiental, acreditava que um recém-formado, sem experiência, deveria ao menos ter um currículo de cursos e pós-graduações para poder ter uma entrada no mercado de trabalho. Porém as empresas buscam mais do que isso, pude observar, e hoje em dia constatar, que o mercado busca um conhecimento aprofundado em uma área específica e vontade de trabalhar duro. No meu caso o TCC da graduação e da pós-graduação e os últimos cursos que realizei, eram sobre a certificação LEED e por ser um tema muito novo, o pouco conhecimento que possuía me possibilitou abrir a primeira porta do mercado de trabalho. O que posso dizer é que a falta de experiência do começo é sempre a maior dificuldade, independentemente da área de atuação, mas que pode ser ultrapassada com uma carga de conhecimento através de cursos e especializações em um ramo específico para que valha a pena a empresa investir no profissional Junior. Conhecimentos genéricos nem sempre são bem interpretados pelas empresas, passa uma ideia que o profissional ainda está “perdido” e agrega pouco valor para uma empresa que possui área de atuação definida. Obviamente que esta situação não se aplica a todo nicho de mercado, para um profissional autônomo ou que busca cargo público, um conhecimento genérico em diversas áreas pode ser interessante.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

João Gallo – Acredito que tudo seja um efeito em cascata, começando com o maior apoio do governo a órgãos ambientais para punir severamente o Poluidor. Dessa forma as empresas buscarão estar adequadas e terão seu próprio engenheiro ambiental contratado. Empresas de consultoria ambiental terão muito mais trabalho e será necessário contratar, e terá maior incentivo para remedição de áreas contaminadas e prevenção de contaminação e degradação. Ao mesmo tempo, o CREA nos dará maior abertura para assinarmos um maior numero de projetos, que a propósito já temos a capacidade, mas não temos a autoridade, e dessa forma demarcar o território de atuação do engenheiro ambiental que hoje em dia é “habitado” por profissionais de outras áreas que não possuem a mesma capacidade técnica que temos.

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

João Gallo – A APEAM tem o papel fundamental para lutar por esse território de atuação. O curso de engenharia ambiental foi criado pra sanar uma demanda do mercado de trabalho, onde profissionais de outras áreas, sem capacidade técnica, elaboram estudos e projetos ambientais sem o correto rigor técnico. APEAM é a voz de todos os engenheiros ambientais que lutam por um maior reconhecimento de funções, que exige a restrição das áreas de atuação dos outros profissionais e que quer maior espaço dentro do CREA através de câmaras técnicas e direito de voto. Lá dentro somos iguais a todas as outras engenharias.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambiental?

João Gallo – Caros, vivemos uma era especial onde nos encontramos em um ponto chave para gerar a mudança, a população do mundo já percebeu que o planeta dá sinais de saturação, nunca se falou tanto em sustentabilidade e ecologia em todos os veículos de comunicação. Temos a obrigação e a responsabilidade de fazer parte dessa mudança, poucos possuem tanta nobreza nas mãos, portanto dê valor a cada conhecimento adquirido e busque o desenvolvimento sempre atrelado ao conceito sustentável e gere movimento, porque movimento gera energia e energia impulsiona a mudança.

foto joão gallo_2

Mercado de Trabalho: Engenheiro ambiental Thiago Edwiges

Mercado de Trabalho: Engenheiro ambiental Thiago Edwiges

O engenheiro ambiental Thiago Edwiges, professor do curso de Engenharia Ambiental e Tecnologia em Gestão Ambiental na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), especialista em engenharia de segurança do trabalho pela PUCPR e mestre em Energia na Agricultura pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), fala sobre o Curso de Projeto e Operação de Aterros Sanitários da Associação Brasileira de Limpeza Pública – ABLP e comenta a inserção dos engenheiros ambientais no mercado de trabalho.

thiago edwiges

APEAM – Fale-me um pouco sobre a importância do Curso de Projeto e Operação de Aterros Sanitários para os engenheiros ambientais.

Thiago Edwiges – O curso sobre aterros sanitários ocorreu em São Paulo/SP e foi ministrado pela Associação Brasileira de Limpeza Pública – ABLP. O curso dá uma visão prática e atual das alternativas viáveis para o tratamento e a disposição final dos resíduos sólidos urbanos e da legislação que disciplina o setor e estuda os aterros sanitários desde o seu licenciamento ambiental até a sua implantação e operação.

 

APEAM – Por que você se interessou por este curso?

Thiago Edwiges – Eu me interessei pelo curso, pois começo no próximo semestre a ministrar uma disciplina sobre gestão e tratamento de resíduos sólidos e pretendo reunir os conhecimentos adquiridos na graduação e pós-graduação com os debates acerca do tema que estão ocorrendo em todo o País, desde que a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi aprovada.

 

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Thiago Edwiges – Nunca encontrei grandes dificuldades, pois busquei sempre me atualizar a partir de cursos de extensão e pós-graduação e também estar em contato direto com engenheiros ambientais, que compartilham oportunidades de trabalho e estudo sempre que possível. Porém, acredito que uma das maiores dificuldades seja encontrar vagas específicas para Engenheiro Ambiental, visto que as atividades específicas desta área de atuação ainda são exercidas por uma gama de profissionais das mais diferentes áreas, e, diferente de áreas mais consolidadas da engenharia, a ambiental não possui todos os processos efetivamente definidos e padronizados em todos os estados e municípios e, assim, cabe ao Engenheiro Ambiental criar o seu espaço e abrir o mercado para os novos engenheiros que estão chegando.

 

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

Thiago Edwiges – Tanto no Brasil, quanto no exterior, tenho visto notícias e rankings colocando a Engenharia Ambiental como uma das profissões mais promissoras. Especificamente em nosso País, temos campos de trabalho que precisam ser ampliados para que efetivamente possamos ser comparados aos países desenvolvidos, como o saneamento ambiental dos municípios, o licenciamento e a gestão ambiental de organizações, a gestão dos nossos recursos naturais e, em maior destaque recentemente, o gerenciamento das grandes obras em andamento para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016. Hoje, já temos bons cursos de graduação e pós-graduação no país, assim como legislações que estão exigindo maior comprometimento do setor público e privado para as questões ambientais e a combinação de todos estes fatores cria um ambiente perfeito para a inserção dos engenheiros ambientais no mercado.

 

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Thiago Edwiges – A Associação tem papel fundamental para promover o debate de questões referentes ao mercado de trabalho, atuação e necessidade de novas regulamentações para a questão ambiental.

 

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Thiago Edwiges – Que busquem desenvolver seus conhecimentos técnicos e aprimorar suas competências pessoais, visto que o mercado tem exigido características específicas como mobilidade nacional e internacional, criatividade, capacidade de resolução de problemas e de trabalho em equipe e quem puder oferecer tal capacidade sai na frente para concorrer a uma posição de destaque.

“O que observo é que ainda as empresas e órgãos públicos não têm a consciência necessária para contratar um engenheiro ambiental”

“O que observo é que ainda as empresas e órgãos públicos não têm a consciência necessária para contratar um engenheiro ambiental”

Rafael Rosa, graduado em engenharia pela Pontifícia Universidade do Paraná (PUCPR) e especialista em Geoprocessamento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) trabalha, atualmente, como sócio administrador da MOR Gestão Ambiental e Florestal Ltda.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Rafael Rosa – Em verdade com relação ao mercado de engenheiros ambientais (empresas contratando ou concursos públicos) eu não tive essa experiência, porém o que observo é que ainda as empresas e órgãos públicos não têm a consciência necessária (ou obrigatoriedade de) para contratar um engenheiro e, se necessário, mais em conta sai contratar técnicos e gestores na área ambiental.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

Rafael Rosa – Mais cobrança por parte dos órgãos competentes e espaço no CREA para definição de atribuições. Porém o mais importante é ter engenheiros ambientais competentes trabalhando e cobrando bem, pois essa é a única forma de ganhar espaço no mercado, trabalhando com ética e qualidade técnica e saber que não temos concorrentes (seja da engenharia ou área que for) ao redor e sim nossa networking.

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Rafael Rosa – Representar a classe junto ao CREA e outras entidades privadas e públicas, além de em eventos.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Rafael Rosa – O recado é gentilmente solicitar a participação e afiliação de V.Sas. na APEAM. Tal feito se dará através de procedimento simples de cadastro, incluindo pagamento de taxa no valor de R$ 35,00. Valor esse ínfimo, perto da representatividade que ensejamos ter, com muita bravura e ética, perante o CREA e acreditem, não será nada fácil. Precisamos de fato nos unir, através da APEAM, para poderemos exorcizar nossos fantasmas (áreas de atuação, sombreamento, padronização de honorários e valores de projetos, representatividade em eventos, respeito!). Não obstante, além de extinguirmos fantasmas, outros vários benefícios virão com o tempo, como desconto em cursos e palestras, junto a prestadores de serviços (dentistas, consultas afins, clínica de estéticas, etc…).

Rafel Rosa

Mercado de trabalho: Engenheiro ambiental Guilherme Geronasso

Mercado de trabalho: Engenheiro ambiental Guilherme Geronasso

Guilherme Geronasso, engenheiro ambiental, especialista em Segurança do Trabalho e pós-graduando em Planejamento e Gestão de Negócios, acredita que o fator primordial para a ascensão da Engenharia Ambiental no mercado brasileiro é a conscientização das Instituições Públicas e Privadas, bem como da população em si. Atualmente Geronasso trabalha como coordenador ambiental Jr. na consultoria Ambiensys Gestão Ambiental, atuando na área de Gerenciamento e Soluções em Resíduos.

Engenheiro ambiental Guilherme Geronasso

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

GUILHERME – Conseguir aplicar a teoria na prática. A burocracia e a falta de recursos impedem a realização de muitas ideias boas.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

GUILHERME – O fator primordial para a ascensão da Engenharia Ambiental no mercado brasileiro é a conscientização das Instituições Públicas e Privadas, bem como da população em si. Essa evolução vem acontecendo de modo um pouco mais lento do que nós, Engenheiros Ambientais gostaríamos que ocorresse, mas com certeza há evolução. Infelizmente a cultura do brasileiro hoje é remediar, enquanto prevenir é mais saudável tanto do ponto de vista ambiental como do econômico. Outro obstáculo que esbarramos frequentemente é a competitividade no mercado de trabalho com outras profissões, que apesar de ter menos preparo técnico para certos quesitos, tem atribuição para fazê-los.

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

GUILHERME – A APEAM é importante para representar nossa categoria dentro das esferas competentes, buscando o valimento de atribuições e conquistando, com muito respeito e profissionalismo, o reconhecimento do Engenheiro Ambiental no mercado de trabalho.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambiental?

GUILHERME – A área ambiental é bastante abrangente, portanto acredito ser interessante procurar se qualificar com especializações voltadas para alguma área específica, de modo que esse conhecimento possa se tornar um diferencial. Lembrando que estágio nunca é demais.

“A maior riqueza que o Engenheiro Ambiental possui é o seu nome, por isso trabalhar com ética e seriedade é imprescindível”

“A maior riqueza que o Engenheiro Ambiental possui é o seu nome, por isso trabalhar com ética e seriedade é imprescindível”

Fernanda de Oliveira Starepravo Ferrari, engenheira ambiental e mestre em Engenharia e Ciências dos Materiais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), atua na Copel Geração e Transmissão S.A. como coordenadora geral do Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina Hidrelétrica Colíder, empreendimento que está sendo implantado na região norte do Mato Grosso. “Como coordenadora, realizo a gestão do processo de licenciamento ambiental do empreendimento, e a minha principal função é acompanhar a implantação dos programas nos meios físico, biótico e socioeconômico, assegurando o fluxo eficiente de informações para o cumprimento do cronograma físico e financeiro do Projeto”, disse.

 

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Fernanda – Acredito que as maiores dificuldades estão relacionadas à variedade de profissionais de diversas áreas atuando na área ambiental, apesar de possuir uma formação específica, o Engenheiro Ambiental ainda não possui atribuições singulares. 

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

Fernanda – É uma questão de tempo, hoje a questão ambiental não é vista como a área da empresa que só traz despesas, sem nenhum retorno. Instrumentos, como a ISO 14001:2004, fornecem as empresas diversos controles e medidas de economia que favorecem os processos existentes, sem contar com a publicidade ambiental, onde empresas utilizam as práticas ambientais para se destacar no mercado. Em grandes empresas as questões ambientais já estão sendo colocadas na pauta de reuniões estratégicas, hoje, a alta direção possui conhecimento sobre a importância da área ambiental e que o licenciamento ambiental, sem a devida atenção, poderá se tornar o caminho crítico para a implantação de seus projetos.     

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Fernanda – A APEAM desempenha um papel preponderante para o fortalecimento da categoria, realizando as ações de divulgação da profissão e ajudando a moldar a identidade do Engenheiro Ambiental.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Fernanda – A maior riqueza que o Engenheiro Ambiental possui é o seu nome, por isso trabalhar com ética e seriedade é imprescindível, sendo o grande desafio encontrar o equilíbrio entre os interesses do homem e do meio ambiente.

“A dedicação aos estudos e o estágio são fundamentais para aquisição de experiência e uma boa colocação no mercado de trabalho”

“A dedicação aos estudos e o estágio são fundamentais para aquisição de experiência e uma boa colocação no mercado de trabalho”

Kenia Unfer Motta, engenheira ambiental pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), especialista em Direito Ambiental e mestre em Engenharia ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), acredita que o estágio e dedicação aos estudos são fundamentais para aquisição de experiência e uma boa colocação no mercado de trabalho. Atualmente, Motta trabalha como responsável técnica na Similar Controle de Emissões Atmosféricas.

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Kenia – O tempo que ainda leva para ingresso no primeiro emprego e o reconhecimento do curso.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

Conhecimento do mercado sobre as habilitações e competências do engenheiro ambiental; Divulgação do curso e conhecimentos específicos; Reuniões com representantes de grandes empresas, associações e sindicatos. Organização de eventos, palestras, cursos, etc.
Existem áreas de atuação comuns, como a engenharia química, é preciso trabalhar no sentido de que é possível partilhar o mercado de trabalho conjuntamente.

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Kenia – Estreitar contatos com administradores de empresas de diversas formas, desde a simples publicidade, às reuniões, palestras, mesmo profissionalmente, dando a conhecer a formação e habilitações do engenheiro ambiental.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Kenia – A dedicação aos estudos e o estágio, mesmo que voluntário, são fundamentais para aquisição de experiência e uma boa colocação no mercado de trabalho.

Engenheira ambiental Kenia Unfer Motta 

“Aproveitem ao máximo os anos de formação. Façam contatos, demonstrem interesse e vontade de crescer”

“Aproveitem ao máximo os anos de formação. Façam contatos, demonstrem interesse e vontade de crescer”

Daniel Larsen, engenheiro ambiental, especialista em Biotecnologia Ambiental e mestre em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental, acredita que nos últimos anos tem aumentado à valorização do profissional no mercado ambiental. Atualmente, Larsen trabalha como perito criminal da Polícia Científica do Paraná. “Trabalho no Instituto de Criminalística de Curitiba, passando por todas as seções, inclusive as que não fazem parte da minha formação. O engenheiro ambiental trabalha com pericia criminal na área de meio ambiente, que está dentro do setor de engenharia na criminalística, e atende crimes contra o meio ambiente, de acordo com legislação. O engenheiro ambiental, neste caso, atuando como perito criminal dimensiona e quantifica os danos ambientais causados em determinadas situações para que sejam aplicadas medidas cabíveis ao responsável, de acordo com o dano causado”, afirmou.

Larsen atuou durante um ano como coordenador do curso de engenharia ambiental da Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná (FAESP) e, nesta etapa de sua carreira, realizou um ótimo trabalho com os acadêmicos e docentes: o curso foi reconhecido pelo MEC.

Daniel Larsen

 

APEAM –  Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Daniel Larsen – A valorização do profissional tem aumentado nos últimos anos. Esse fator se deve, principalmente, pelas lideranças que estão sendo formadas em nosso Estado. No meu caso, a falta de um bom estágio enquanto graduando e consequente falta de experiência que o mercado de trabalho exige, foi fundamental para que eu procurasse enriquecer meu currículo acadêmico, cursando especialização e mestrado, ambos na área ambiental. Um bom estágio, mesmo que voluntário, faz parte da formação de um bom profissional, e é nesse sentido que o MEC tem cobrado o estágio supervisionado nas matrizes curriculares.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

Daniel Larsen – Tempo. O curso é novo e a necessidade de profissionais nesta área também. A discussão ambiental começou há 40 anos, demanda relativamente nova se comparada a outras, como de construção civil, por exemplo. O caminho para concretização está traçado, só depende da constante pressão das lideranças para que o engenheiro ambiental seja cada vez mais valorizado.

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Daniel Larsen – Em qualquer profissão, as associações são representantes dos anseios de seus associados e, de forma geral, dos profissionais que representa. As iniciativas da APEAM têm se mostrado efetivas e sérias : A classe e em sintonia com o âmbito nacional, formando lideranças na área no estado.

APEAM –  Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Daniel Larsen – Aproveitem ao máximo os anos de formação. Façam contatos, demonstrem interesse e vontade de crescer. Depois de formados, busquem as lideranças, as associações e se envolvam no desafio pela valorização profissional.

“Acreditem na profissão e busquem se especializar em alguma área, não se contente em ser um generalista”, disse Neto

“Acreditem na profissão e busquem se especializar em alguma área, não se contente em ser um generalista”, disse Neto

Daniel Macedo Neto, engenheiro ambiental e mestre em Engenharia de Recursos Hídricos e Ambiental pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), é um belo exemplo para os futuros engenheiros ambientais. Atualmente, trabalha como coordenador técnico de estudos ambientais na Ambiotech Consultoria, elaborando estudos ambientais (EIA/RIMA, RAS, R3, PBA,etc.) para empreendimentos do setor de energia, em especial usinas hidrelétricas, eólicas e linhas de transmissão.

Neto já trabalhou com Licenciamento ambiental de mineração de areia, licenciamento ambiental de pequenas centrais hidrelétricas, coordenação de projetos de recuperação de áreas degradadas, orçamentos de serviços e estudos ambientais.

daniel macedo

APEAM – Quais foram as maiores dificuldades encontradas no mercado de trabalho?

Daniel Macedo Neto – Ser convidado a realizar (e ter que recusar) trabalhos que não competem ao engenheiro ambiental, tais como: obtenção de autorizações pra corte de vegetação, cadastramento junto ao SISLEG/IAP, entre outros. Outra dificuldade foi saber com clareza quais são as minhas atribuições como engº ambiental e onde é o limite dessas atribuições em relação a outros profissionais para projetos em equipe.

APEAM – A Engenharia Ambiental é relativamente nova no mercado de trabalho brasileiro e também, dentre as demais engenharias, a que mais tem potencial de crescimento. O que você acha que esta faltando para que este fato seja concretizado?

Daniel Macedo Neto – Falta uma padronização dos cursos de graduação a nível nacional. As grades curriculares dos cursos de engenharia ambiental diferem muito entre as instituições de ensino superior e isso complica muito na definição das atribuições e na própria firmeza do profissional para atuar no mercado. Quem sabe essa falta de padronização seja a responsável por nossa formação ser chamada de generalista pelo CONFEA. Na engenharia ambiental brasileira, nos moldes dos cursos que temos hoje, a pós-graduação é requisito obrigatório para aquele profissional que não deseja ser conhecido como generalista (aquele que sabe um pouco de tudo e tudo de nada).

APEAM – Qual a importância da APEAM para o fortalecimento da categoria?

Daniel Macedo Neto – Fundamental. Outras engenharias só conseguiram o espaço que têm graças ao fortalecimento (quantitativo e qualitativo) dos profissionais. O processo de crescimento da profissão e de ganho de espaço em matéria de atribuições é participativo e cumulativo: mais associados, mais engenheiros ambientais atuantes nas câmaras especializadas, mais conselheiros… mais espaço para a engenharia ambiental.

APEAM – Para finalizar, qual recado você gostaria de deixar aos futuros Engenheiros Ambientais?

Daniel Macedo Neto – Acreditem na profissão e busquem se especializar em alguma área, não se contente em ser um generalista.